No próximo dia 6 de setembro, um domingo marcado no calendário de Salvador, a capital baiana será palco da 23ª Parada do Orgulho LGBT+ Bahia. O evento, tradição que atravessa mais de duas décadas de história, ocorrerá na véspera do feriado da Independência do Brasil, fortalecendo ainda mais a importância cultural e social do movimento pela diversidade no estado.
A organização fica por conta do Grupo Gay da Bahia, entidade nascida em 1980 que carrega o título de mais antiga associação de defesa dos direitos civis de homossexuais em toda a América Latina. Este ano, a parada traz como mensagem central o slogan "Vergonha adoece. Orgulho cura!", convidando a população a refletir sobre os danos causados pelo estigma e pela exclusão na saúde mental e física da comunidade LGBTQIAPN+.
A concentração oficial está prevista para as 12h no Farol da Barra, ponto histórico que marca o início do tradicional percurso entre a Barra e Ondina. Às 15h, o cortejo com aproximadamente dez trios elétricos começa sua jornada, reunindo artistas, autoridades, manifestações culturais e muitas famílias em uma celebração que mistura folia, resistência e afirmação de direitos.
A programação matinal conta com o Palco da Diversidade, que a partir das 11h recebe apresentações de artistas drags e shows musicais. Neste ano, o espaço presta homenagem especial a Luiz Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia, que comemorará 80 anos de vida com uma trajetória de mais de quatro décadas dedicados à luta pelos direitos da população LGBTQIAPN+ no Brasil.
Dados econômicos reforçam o impacto significativo do evento. Uma pesquisa conduzida pela Secretaria de Turismo da Bahia durante a 17ª edição revelou que cada participante gastou em média R$ 940,56, permanecendo aproximadamente 5,5 noites na capital. Impressionantes 83,3% dos entrevistados afirmaram que retornariam ao evento. Para esta edição, o Grupo Gay da Bahia projeta uma movimentação financeira de pelo menos R$ 18 milhões em um único dia, superando o impacto de grandes espetáculos e partidas esportivas realizados na cidade.
Além da relevância turística e econômica, a organização protocolou junto à Fundação Gregório de Mattos um pedido para que a Parada do Orgulho LGBT+ Bahia seja declarada Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador. O dossiê, elaborado com base na legislação municipal vigente, argumenta que ao longo de 23 edições consecutivas, o evento se consolidou como ritual coletivo de resistência, espaço simbólico de cidadania e instrumento de transmissão de conhecimentos entre gerações, tendo inspirado o surgimento de mais de 60 paradas e caminhada comunitárias na capital baiana.
Paralelamente, o Grupo Gay da Bahia lançou o manifesto político "Orgulho e Saúde Coletiva – Uma Narrativa de Cura", documento que fundamenta a proposta desta edição e apresenta sugestões para melhorias na atenção à saúde da população LGBTQIAPN+. O texto completo está disponível para download no portal oficial da entidade organizadora.
Fonte: A TARDE