A psicopedagoga e orientadora familiar Carla Costa chamou atenção para a necessidade de cautela na introdução e no uso responsável de dispositivos eletrônicos por crianças e adolescentes durante entrevista concedida ao Metropole Mais nesta sexta-feira.
De acordo com a especialista, a orientação é para que meninos e meninas não tenham contato com telas antes de completarem 2 anos de idade, período em que o cérebro ainda está em fase crucial de formação. A profissional defende que outras formas de estímulo sejam priorizadas, mas reconhece que, na prática, muitos lares dependem desses aparelhos como recurso para organizar a rotina.
Carla Costa alertou que o uso exagerado de equipamentos digitais provoca impaciência e irritabilidade nos usuários. Nas crianças, o problema vai além da perda de habilidades já adquiridas: ausência de estímulos adequados pode comprometer o surgimento de novas competências. A pedagoga explicou que, embora cada pequeno tenha seu ritmo próprio, existem marcos de desenvolvimento esperados para cada faixa etária, e a falta dessas conquistas pode indicar atraso no crescimento.
Apesar das recomendações, a especialista reconhece o valor da tecnologia quando empregada de maneira consciente. Ela sugere que o tema seja discutido nas instituições de ensino e que diálogos abertos sejam estabelecidos com os jovens. "A internet também abriga conteúdos relacionados a preconceitos, automutilação e crueldade contra animais. É fundamental acompanhar de perto o que as crianças acessam", completou.
A orientadora também propõe uma reflexão sobre o exemplo dado pelos próprios adultos. Para ela, a inquietação dos pais diante das telas pode servir de modelo negativo para os filhos e interferir na qualidade do tempo em família. "Não realize pelo niño aquilo que ele já consegue fazer sozinho. Isso faz parte do processo de amadurecimento, e muitos adultos não estão preparados para lidar com essa realidade", concluiu Carla Costa.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1