O profissional de comunicação Luís Pablo Conceição Almeida, natural do Maranhão, enfrenta uma sentença judicial em dezembro sob a acusação de integrar um esquema de cobrança ilegal contra figuras públicas e empresarial do estado. Ele também é alvo de apuração por parte do Supremo Tribunal Federal, depois de veicular materiais sobre o ministro Flávio Dino.
De acordo com as apurações da Operação Turing, deflagrada em 2017, Luís Pablo integrava um coletivo de gestores de blogs que obtinham informações confidenciais de um agente da Polícia Federal sobre inquéritos em curso. Esse grupo supostamente exigia valores monetários das pessoas investigadas como condição para não tornar públicos os dados na rede mundial de computadores. Os valores em questão ficavam entre um mil e quinhentos e dez mil reais.
As investigações apontam que indivíduos possivelmente vittimas das cobranças utilizavam os dados obtidos de forma irregular para fugir de responsabilizações ou eliminar evidências. Luís Pablo chegou a ser detido durante a ação policial, porém deixou a prisão poucas horas depois. O jornalista sustenta que é inocente e que testemunhas inquiridas na ação penal declararam não terem sido pressionadas ou extorquidas por ele. A equipe de defesa também cuestiona a regularidade das escutas telefônicas utilizadas como evidência.
A Justiça definiu para o dia 15 de dezembro a realização da audiência do processo. Luís Pablo responde pelos crimes de integração em organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e impedimento de investigação judicial. Antônio Marcelo Rodrigues da Silva, o Marcelo Minard, também figura como inúmer réu e será julgado no mesmo período.
O caso ganhou novos capítulos após as publicações de Luís Pablo envolvendo o ministro Dino. Na semana anterior, o ministro Alexandre de Moraes permitiu a realização de buscas contra pessoas consideradas informantes do jornalista. A decisão gerou debates sobre a proteção de fontes jornalísticas e os limites da atividade comunicacional. Moraes declarou que existiam indícios de delitos relacionados à proteção de Dino e de seus familiares, afirmando que a garantia de sigilo da fonte não pode servir como proteção para a prática de irregularidades.
O Supremo revelou que as buscas estavam vinculadas a suspeitas de monitoramento irregular dos protocolos de segurança de Dino. Entre os elementos mencionados estão a exposição de placas de veículos utilizados pelo ministro e dos nomes de agentes responsáveis por sua escolta. Em documento, a Polícia Federal informou não ter conseguido provar que Luís Pablo recebeu pagamentos para produzir reportagens detratoras contra Dino. O jornalista nega ter monitorado o ministro e argumenta que a decisão judicial compromete o exercício da imprensa.
Dino também se pronunciou sobre o assunto declarando que não há liberdade para mentir, atacar, perseguir, ameaçar ou intimidar magistrados. Na sexta-feira seguinte, Moraes inocentou sumariamente Marcelo Minard das acusações de peculato e lavagem de dinheiro em outro procedimento decorrente da Operação Turing. Todavia, a decisão não encerra a ação penal sobre o alegado esquema de extorsão, na qual ele permanece pronunciado ao lado de Luís Pablo.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1