O repórter e escritor Luis Costa Pinto, que acumula os prêmios Esso e Líbero Badaró de Jornalismo além do Jabuti na categoria Livro-Reportagem, comentou o panorama político de 2026 durante participação no programa Jornal da Cidade nesta segunda-feira. Em sua análise, ele enfatizou que as plataformas digitais transformaram radicalmente o modo como a populaçãoaccessa e elabora conceitos. "É uma constatação concreta: as redes sociais assumiram o papel que antes pertencia aos veículos tradicionais na construção do pensamento coletivo", declarou.
Segundo Costa Pinto, a profissão jornalística precisa se adaptar a esse novo fluxo de distribuição de conteúdos. "Agora temos que lidar com o fenômeno das redes digitais e seus recortes fragmentados", observou. Para ele, o confronto entre candidatos à Presidência realizado no domingo resultou em material abundante para essas plataformas de compartilhamento.
Ao avaliar a performance dos postulantes, o profissional de comunicação lembrou que Lula encontrou alternativa ao não participar do embate presencial, compensando com uma inúmera entrevista exibida na emissora Record. Costa Pinto também identificou Flavinho Bolsonaro entre os mais prejudicados pela decisão de faltar ao confronto. "Ele tenta se aproveit do nome do pai para gaining relevância", criticou. Na percepção do veterano jornalista, o candidato desperdiçou chance de conquistar apoiadores indecisos.
A cobertura jornalística dos veículos tradicionais também recebeu apontamentos severos. Costa Pinto comparou a forma como as informações sobre Lulinha e o episódio do longa-metragem Cavalo de Batalha foram tratadas, classificando a disparidade como evidente. "Existe uma assimetria gritante e isso mais uma vez revela a inclinação que a mídia tradicional brasileira carrega", sentenciou. Ele associou esse viés à repulsa que parcela da população ainda nutre pelo ex-presidente. "Essa hostilidade nasce do ressentimento de camadas mais altas da sociedade, que alimentam um ressentimento profundo pela presença e história política de Lula", explicou.
Sobre o debate presidencial, Costa Pinto chamou atenção para a frequência com que Lula foi mencionado durante o evento. "O mandatário surgiu 40 vezes ao longo dos 90 minutos de transmissão, quase uma menção a cada dois minutos", revelou. Em contraste, Flavinho Bolsonaro teria sido praticamente esquecido pelos adversários.
Luis Costa Pinto assina obras como Os Fantasmas da Casa da Dinda, As Duas Mortes de PC Farias, a coleção Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro, além de O Vendedor de Futuros e O Procurador. Seu trabalho consolidou-o como referência no jornalismo investigativo brasileiro.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1