A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, desencadeou uma série de recursos junto ao Tribunal Superior Eleitoral contra concorrentes na disputa presidencial. As quatro ações protocoladas neste sábado (29) apontam violações que incluem disseminação de informações inverídicas, emprego de tecnologia de simulação realista, ataques pessoais e uso indevido de estrutura pública durante evento agropecuário.
O caso mais emblemático envolve a Festa do Peão de Barretos, um dos maiores encontros do setor no continente sul-americano, realizado no interior paulista. A representação sustenta que a chapa do PL transformou o festival em ato de campanha disfarçado, reunindo 60 mil espectadores em um espetáculo com equipamentos profissionais de áudio e iluminação, com custos cobertos por empresas privadas e órgãos governamentais.
Na ocasião, Flavio Bolsonaro subiu ao palco ao lado do governador Tarcísio de Freitas, também candidato à renovação do mandato, e declarou-se futuro presidente do Brasil, afirmando que o agronegócio representa o coração da nação. A plateia repetiu palavras de ordem contra Lula, e o apresentador do evento apresentou o senator como postulante ao cargo máximo do Executivo.
A coalizão aliada de Lula pediu a anulação do registro de candidatura da chapa adversária e a decretação de inelegibilidade de Flavio. A defesa argumenta que o público pagou ingresso para prestigiar shows artísticos, mas foi brindado com comício electoral durante os intervalos.
Os partidos também contestaram clipes criados com tecnologia de manipulação de imagens que vinculam o presidente à palavra assalto, acompanhados da frase interrogativa sobre acionar autoridades. O material foi veiculado em 20 de agosto nas principais plataformas digitais, alcançando 19,6 milhões de visualizações. A divulgação envolveu colaboração entre Lucas Pavanato, vereador paulistano, e o próprio Flavio, sendo replicado por centenas de milhares de perfis, incluindo o de Romeu Zema, candidato do Novo.
A federação solicita a retirada do vídeo em até um dia, bloqueio de novas publicações, penalidades diárias por descumprimento e indenização de até trinta mil reais por cada ataque à honra de Lula.
Em outro episódio, Flavio asociou a administração federal às facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, alegando que o governo mantém acordos com o crime organizado. A declaração ocorreu durante lançamento de sua campanha na praia do Rio de Janeiro, em discurso repleto de ataques ao governo, gerando vídeo com mais de 1,7 milhão de visualizações.
Por fim, a coalizão pretende proibir publicações de Ronaldo Caiado, ex-secretário de Goiás pelo PSD, que em entrevista à televisão concedeu em 25 de agosto asociou Lula ao tráfico de entorpecentes, afirmou que o comércio ilegal concentra-se na Amazônia com conivência federal e qualificou o presidente como maior agiota do país. Para o PT, as declarações excedem a liberdade de crítica política e constituem difusão de mentiras e ataques à reputação de Lula.
Fonte: Farol da Bahia