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Deslizamento na fronteira entre Nepal e China deixa quase 800 mortos e expõe vulnerabilidade do Himalaia às mudanças climáticas

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Mortes no Nepal e na China chegam a quase 800, e autoridades fazem alertas sobre mudanças climáticas — Fonte: Farol da Bahia
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Um desastre de proporções devastadoras atingiu a região fronteiriça entre o Nepal e a China neste domingo (30), com o balanço de vítimas fatais chegando a 768 pessoas. Equipes de resgate continuam em ação quatro dias após a catastrophe que destruiu infraestruturas inteiras na região montanhosa.

As autoridades nepalesas confirmaram a recuperação de 752 corpos em seu território, enquanto pelo menos 2.502 pessoas seguem desaparecidas. No lado tibetano da fronteira, 16 vítimas foram resgatadas dos escombros, com 546 desaparecidos registrados.

A lama espessa e os destroços de edificações, estradas, pontes e instalações industriais enterraram as vítimas do fenômeno que occurred na terça-feira (26). As operações de busca enfrentam obstáculos constantes: o mau tempo forçou a suspensão dos trabalhos em diversas ocasiões, e o risco de transbordamento de um lago formado pelo desastre mantém os socorristas em alerta máximo.

O lago resultante do deslizamento começou a verter para os rios Lhende Khola e Trishuli, provocando a evacuação de moradores e equipes de resgate para zonas mais elevadas quando o nível do Trishuli subiu entre sábado e domingo.

Embora a causa exata do colapso glacial ainda não esteja completamente elucidada, o chanceler nepalês Shisir Khanal criticou duramente a situação: "O Nepal é responsável por menos de 0,01% das emissões de gases de efeito estufa, porém nossa população paga o preço mais alto pelas mudanças climáticas", declarou o ministro das Relações Exteriores.

Cientistas ouvidos pela imprensa internacional alertam que o aquecimento global não pode ser apontado como causa imediata única do desastre, mas certamente contribuiu para o tragedy. Simon Cox, especialista do programa Mountains to Sea do Earth Sciences New Zealand, explicou que o derretimento das geleiras reduz a sustentação das rochas, aumenta o volume de água de fusão e modifica os padrões de congelamento e descongelamento, criando condições propícias a grandes desmoronamentos.

Simon Stiell, diretor executivo do clima da Organização das Nações Unidas, emitiu nota lamentando o ocurrido: "O colapso glacial repentino demonstra como esses ambientes montanhosos podem ser extremamente frágeis. A queima massiva de combustíveis fósseis torna tragédias assim cada vez mais prováveis, frequentes e devastadoras."

Segundo veículos oficiais chineses, a enchente foi ocasionada pela "instabilidade das geleiras sob efeitos prolongados do aquecimento global", classificando o evento como uma "característica emergente dos desastres criosféricos no planalto tibetano". Pesquisadores chineses calcularam que a avalanche de lama percorreu a distância desde o Nepal até o posto aduaneiro de Gyirong em apenas seis a sete minutos.

Inicialmente, especula-se que um tremor de magnitude 4,4 pudesse ter triggered o deslizamento, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos esclareceu que as ondas sísmicas detectadas foram consequências, e não causas, do desmoronamento.

As equipes de resgate também enfrentam perigos significativos: estradas bloqueadas, comunicações interrompidas e possibilidade de novos desastres naturais. Neste domingo, autoridades nepalesas renovaram os apelos para que os socorristas trabalhem com "máxima cautela", diante da elevação das águas do rio Bhotekoshi no distrito de Rasuwa.

Usando equipamentos de perfuração, os resgate conseguiram neste domingo alcançar a entrada de um túnel pertencente à usina hidrelônica Trishuli-3, onde cerca de uma centena de trabalhadores permanece soterrada desde a catastrophe.

Diante da impossibilidade de preservar centenas de corpos em condições adequadas, as autoridades nepalesas iniciaram enterros em massa. "Não tínhamos alternativa. O risco sanitário causado pela decomposição acelerada nos obrigou a tomar essa medida", explicou Ganesh Arya, diretor da administração distrital de Bharatpur, em Chitwan.

No sábado (29), 96 corpos não identificados foram sepultados na floresta de Devghat, em Chitwan. Mais de uma centena de sepultamentos estavam programados para este domingo. Antes dos procedimentos, equipes médicas extraíram amostras de DNA de cada corpo e registraram as coordenadas dos enterros, permitindo que familiares realizem a identificação e exumação posterior para conduzir rituais fúnebres tradicionais.

Fonte: Farol da Bahia

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