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Laudos toxicológicos não detectam álcool ou drogas em advogada que alega estupro, mas exame de DNA confirma material genético do acusado

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Fonte: A TARDE
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O A TARDE obteve com exclusividade dois laudos toxicológicos elaborados pelo Laboratório Central de Polícia Técnica, órgão vinculado ao Departamento de Polícia Técnica da Bahia. Os documentos analisam amostras biológicas coletadas de Marcela Ribeiro Santos Macedo, atualmente com 28 anos, advogada que accuse o também operador do direito Silvio Nei Oliveira da Silveira, 50 anos, de tê-la dopado e estuprado em 4 de outubro de 2019.

O suposto crime teria acontecido no escritório de Silveira, localizado em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, durante um processo seletivo para estágio. Na época, Marcela contava com 22 anos e era universitária de direito de uma instituição particular de ensino. De acordo com o primeiro laudo, não foi identificada a presença de álcool etílico no sangue da vítima. Já o segundo documento revela que também não foram encontradas traços de cocaína, maconha, benzodiazepínicos, barbitúricos e anfetaminas nas amostras analisadas.

As amostras utilizadas nos exames foram recolhidas no dia 5 de outubro de 2019, um dia após o alegado episódio. A autenticidade dos documentos foi confirmada pelo Departamento de Polícia Técnica nesta sexta-feira, 4.

O primeiro laudo, identificado como Perícia 2019 00 LC 045443-03, teve como objetivo medir a concentração de álcool etílico no sangue de Marcela. O material foi analisado por meio de cromatografia em fase gasosa com a técnica conhecida como espaço de cabeça. O resultado indicou ausência de álcool etílico, com limite de detecção de 1,0 decigrama por litro de sangue. O documento foi assinado em 10 de outubro de 2019 pela perita criminal Clara Macedo Couto.

O segundo laudo, registrado como 2019 00 LC 045443-02, pesquisou a presença de drogas tanto na urina quanto no sangue. Para a urina, utilizou-se imunocromatografia, e para o sangue, cromatografia em fase gasosa acoplada à espectrometria de massas. Em ambos os casos, os resultados foram negativos para todas as substâncias investigadas. A conclusão dos peritos afirma que não foram detectadas as substâncias pesquisadas. O documento data de 20 de março de 2020 e traz as assinaturas das peritas Rita de Cássia Silva de Santana Castro e Jacob Germano Cabus.

Os resultados dos laudos contrastam com a versão apresentada por Marcela. Em entrevista, ela revelou que consumiu bebida alcoólica junto com Silvio Nei na tarde de 4 de outubro de 2019, quando foi supostamente dopada e violentada. Segundo seu relato, ela perdeu a consciência no escritório e só percebeu o que aconteceu no dia seguinte, ao encontrar marcas de sucção no pescoço e nos seios, além de dor na região genital.

Marcela registrou ocorrência na 23ª Delegación Territorial de Lauro de Freitas. O processo tramita na 1ª Vara Criminal da cidade sob segredo de justiça e ainda não tem sentença definida. Ela afirmou que o exame de corpo de delito constatou a presença de sêmen em seu canal vaginal. "Ele foi intimado diversas vezes para apresentar o material genético, mas não respondia. Então, o Ministério Público conseguiu um mandado de busca e apreensão, foram ao escritório dele, conseguiram recolher um objeto, testaram o DNA e comprovaram que era compatível com o sêmen que estava no meu corpo", explicou.

Em relação aos laudos toxicológicos negativos, Marcela comentou que, devido à janela de tempo, possivelmente não seria mais possível detectar as substâncias em seu organismo. "Eu consumi vinho na tarde do dia 4. O exame só foi realizado no dia 5 à noite. Mas o exame de DNA deu positivo para esperma e o perfil genético dele era compatível", pontuou.

Marcela enviou à inúmertes um documento do Ministério Público da Bahia no qual consta que o exame de DNA para comparação do material genético foi realizado a partir de um copo descartável supostamente utilizado por Silvio Nei. "Foi encontrado um único perfil genético masculino no copo enviado, referente ao investigado Silvio Nei Oliveira da Silva. O perfil genético masculino encontrado é totalmente compatível com o perfil genético dos swabs anal e vaginal coletados da vítima Marcela Ribeiro Santos Macedo", diz um trecho do documento.

Silvio Nei sustenta sua defesa com base nos laudos toxicológicos. Ele afirmou que não pode revelar todos os detalhes devido ao sigilo processual, mas apresentou elementos que corroboram sua versão. O advogado negou que Marcela tenha consumido qualquer bebida em seu escritório. "Ela nunca bebeu no meu escritório, nem um gole de controle, nem do vinho que eu tomei, acho que nem água ela bebeu no meu escritório, nunca na vida dela", declarou.

Silvio também questionou a afirmação de que Marcela teria ficado impossibilitada de se locomover após deixar o escritório. Ele apresentou imagens de câmeras de segurança da Secretaria de Segurança Pública de Lauro de Freitas que, segundo ele, registraram a movimentação da advogada na noite de 4 de outubro de 2019. "Ela chegou no centro de Lauro de Freitas às 19h19. A câmera registrou ela saindo do carro, carregando um bolo em embalagem plástica. Ela andou até o Cine-Teatro de Lauro de Freitas, chegou com 19 minutos de atraso e permaneceu lá até às 21h30", narrou.

O advogado revelou que foi ele quem levou Marcela até o centro da cidade, em seu veículo, um Volkswagen Gol de cor vermelha. Silvio afirmou que ela chegou em casa às 22h30 em um carro preto, questionando como ela poderia afirmar que o veículo era dele se alegava não lembrar de nada. "Se a mulher disse que não lembra de nada, como é que ela disse que o carro preto era meu? Eu não tenho carro preto", indagou.

Sobre a relação sexual, Silvio afirmou que o laudo de constatação sexual indicou que Marcela manteve relação sem lesões, o que, na avaliação dele, indicaria consentimento. Ele também mencionou a presença de marcas de sucção e piercings, salientando que não foram identificadas lesões. "Não tive relação sexual com ela. Ela teve relações, mas de forma consensual. Nunca tive um relacionamento amoroso com ela. Sou casado há 18 anos e tenho uma filha de 14 anos desse casamento", afirmou.

A Polícia Civil, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia e a Secretaria Municipal de Segurança, Defesa Civil e Ordem Pública de Lauro de Freitas foram procuradas e responderam por meio de nota. As autoridades informaram que o inquérito policial instaurado pela 23ª Delegación Territorial já foi encaminhamento ao Poder Judiciário e que detalhes da investigação devem ser solicitados diretamente à Polícia Civil.

Fonte: A TARDE

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