A capital baiana recebe a partir desta terça-feira, 8, até o dia 16 de setembro, a terceira edição do festival Cine SESI 2026, evento que reúne mais de 18 filmes, sessões especiais, oficinas, debates e atividades pedagógicas voltadas para o cinema e o audiovisual da Bahia. A programação, totalmente gratuita, traz como tema central "Cinema, Memória e Legado" e presta homenagem ao Bando de Teatro Olodum por sua contribuição às artes e à cultura negra brasileira.
A gerente do SESI Cultura Bahia, Joana Fialho, destaca que esta edição marca dois movimentos importantes. "Reafirmamos o cinema como experiência de formação de público e valorização da cultura baiana, ao mesmo tempo em que ampliamos nossa atuação para além de Salvador, levando a programação para o interior do estado", afirma. Esta expansão inclui uma sessão especial em Cachoeira, no Cine Theatro Cachoeirano, no dia 15 de setembro, onde será exibido o filme "Três Obás de Xangô", de Sérgio Machado.
Fundado em 1990, o Bando de Teatro Olodum completará mais de três décadas de trajetória na próxima edição do festival. O grupo é reconhecido como uma das principais referências do teatro negro no Brasil, tendo formação e projetado artistas como Lázaro Ramos, Érico Brás, Lucas Leto, Edivana Carvalho e Leno Sacramento, que depois seguiram carreira no cinema, na televisão e em diversas áreas do audiovisual.
"O Bando transformou o teatro ao colocar no centro do palco questões de identidade, cultura negra, ancestralidade e resistência. Atualmente, é patrimônio cultural imaterial de Salvador", explica Joana, reforçando a importância de reconhecer essa trajetória que ajudou a construir a identidade cultural da cidade e do estado.
A curadora Dayse Porto, uma das responsáveis pela seleção dos filmes ao lado de Rubian Melo e Heraldo de Deus, explica que a programação busca contemplar tanto obras contemporâneas quanto históricas. "Quisemos mostrar que o cinema baiano está vivo, sendo feito agora por jovens realizadores, pessoas negras, periféricas e mulheres. Ao mesmo tempo, reverenciamos quem veio antes e compreendemos como chegamos até aqui", destaca.
A mostra também está integrada ao CineModaLab, plataforma de difusão cultural que conecta o audiovisual a outras áreas como moda, educação e economia criativa. "Nosso objetivo não é apenas apresentar filmes, mas criar possibilidades de encontro entre a obra e o público, estimulando novas conexões e ideias", conclui Joana Fialho.
As exibições ocorrem no SESI Casa Branca e no SESI Rio Vermelho, com sessões que mesclam produções recentes de cineastas consagrados, como Antonio Pitanga e Sérgio Machado, e produções históricas que marcaram a memória do cinema baiano. A programação completa está disponível em linktr.ee/cine.sesi.
Fonte: A TARDE