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Onze de setembro: duas tragédias, um destino marcado pela dor

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Fonte: Últimas Notícias - Metro 1
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A data de 11 de setembro carrega um peso histórico que atravessa décadas e continentes. Em um intervalo de 28 anos, o mundo testemunhou dois episódios devastadores que moldaram o curso da história contemporânea e deixaram cicatrizes que permanecem abertas até os dias atuais.

O primeiro capítulo dessa tragédia começou no Chile, em 1973. Na manhã daquele 11 de setembro, as Forças Armadas chilenas cercaram e atacaram o Palácio de La Moneda, sede do governo em Santiago. O presidente Salvador Allende, que assumira o poder em 1970 à frente da coalizão Unidade Popular, recusou-se a abandonar o cargo. Isolado no gabinete, realizou sua última transmissão por rádio antes de morrer, possivelmente por suicídio. O golpe instalou no poder a junta militar chefiada pelo general Augusto Pinochet, dando início a uma das mais brutais ditaduras da América Latina.

Durante 17 anos, o regime Pinochet se converteu em uma máquina de violência: execuções sem julgamento, prisões políticas, torturas sistemáticas, desaparecimentos forçados e milhares de exilados. Relatórios da Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação e investigações posteriores documentaram os horrores praticados naquele período sombrio.

Quase três décadas depois, em 2001, o terrorismo internacional escreveria outro capítulo trágico naquela mesma data. Quatro aeronaves comerciais foram sequestradas por membros da organização Al-Qaeda. Dois aviões atingiram as torres do complexo empresarial World Trade Center, em Nova York; um terceiro atingiu o Pentágono, nas proximidades de Washington; o quarto caiu na Pensilvânia após passageiros tentarem recuperar o controle da nave. As imagens das torres desmoronando rodaram o planeta em tempo real.

O saldo foi devastador: aproximadamente três mil mortos confirmados pelas autoridades norte-americanas. As consequências, porém, extrapolaram qualquer previsão. Teve início a chamada "guerra ao terror", que resultou nas invasões militares ao Afeganistão e ao Iraque e em profundas transformações nas políticas de segurança e vigilância em escala global.

A coincidência calendário impressiona, mas o verdadeiro vínculo entre os dois episódios reside nas reverberações políticas que ambos produziram. De um lado, o 11 de setembro chileno revelou como uma democracia pode ser dilacerada por forças internas quando as instituições sucumbem à violência. De outro, o 11 de setembro norte-americano demonstrou o poder do terrorismo em reescrever a agenda geopolítica de uma superpotência.

Ambos os eventos compartilham um legado comum: geraram ondas de medo, violência e mudanças políticas que se estenderam muito além do dia em que occurrederam. As fumaças se dissiparam, mas os efeitos continuam a moldar o presente.

Fonte: Últimas Notícias – Metro 1

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