Início Economia Empréstimos condominiais ganham força como solução para despesas urgentes
Economia

Empréstimos condominiais ganham força como solução para despesas urgentes

Share
Fonte: A TARDE
Share

Quando um problema estrutural aparece ou uma adaptação exigida pelo governo não pode ser adiada, muitos condomínios se veem sem recursos imediatos para arcar com os custos. Nesses momentos, o financiamento surge como possibilidade para tocar a reforma e diluir o pagamento ao longo do tempo, mas a escolha traz consequências para o futuro financeiro do prédio e dos moradores.

Karol Freitas, executiva-chefe da Gestart Condomínios, afirma que o empréstimo pode financiar intervenções, melhorias, aquisição de equipamentos, adequações e projetos que valorizam o imóvel. A vantagem está em manter parte do colchão financeiro reservado para emergências e evitar que todo o valor saia de uma só vez. Por outro lado, a viabilidade dessa opção varia conforme a situação das contas do condomínio e as outras alternativas existentes.

Segundo a especialista, a decisão deve considerar três aspectos fundamentais: a urgência do reparo, a solidez das finanças e o peso das parcelas para os moradores. O fundo de reserva costuma ser a primeira alternativa em casos emergenciais, desde que seu uso não deixe o condomínio vulnerável a novos imprevistos. A taxa extraordinária pode funcionar melhor quando o valor é razoável e pode ser dividido em poucas vezes. Já o financiamento faz sentido quando é preciso obter uma quantia elevada de imediato, seja para agilizar a obra ou conseguir preços melhores com fornecedores.

Pablo Soares, síndico profissional, defende que o crédito seja considerado apenas após esgotar outras opções. Para reparos programados com antecedência, como uma pintura de fachada prevista para dali a dois anos, ele sugere recolher uma contribuição extra aos poucos. Ao final do período, o prédio terá acumulado o recurso necessário e poderá reduzir ou eliminar os juros.

"O financiamento deve ser evitado quando há tempo para se planejar", orienta Soares. A realidade muda, porém, diante de situações que exigem resposta imediata. Se um muro desmorona e não existe reserva disponível, pode ser inevitável recorrer ao empréstimo. Para ele, a necessidade recorrente de financiamentos também pode indicar falhas no planejamento financeiro e na formação de caixa para despesas futuras.

Léo Mack, fundador da plataforma uCondo especializada em gestão condominial, destaca que manter uma reserva adequada aos riscos do empreendimento diminui a dependência de empréstimos. Como diretriz de planejamento, ele sugere acumular recursos correspondentes a dois ou três meses de custos fixos. Em um prédio com despesas mensais de cinquenta mil reais, isso resultaria em uma reserva entre cem mil e cento e cinquenta mil reais.

Não há, contudo, um valor único ideal para todos os casos. A idade da construção, o estado da infraestrutura, a quantidade de funcionários e a possibilidade de encargos trabalhistas também influenciam o cálculo. Prédios mais antigos, por exemplo, costumam necessitar de mais reparos em sistemas elétricos, tubulações, fachadas e elevadores.

Antes de definir a fonte dos recursos, a administração deve comparar diferentes cenários. Mack menciona o exemplo de uma reforma de cem mil reais em um condomínio com cem unidades e vinte mil reais em caixa. Entre as opções estão utilizar o dinheiro disponível e pedir o restante, contrair um empréstimo ou aprovar uma cobrança extraordinária dos moradores. Nesse cálculo simplificado, cada unidade arcaria com mil reais.

A conta, porém, não se resume a dividir o custo da obra pelo número de apartamentos. É essencial verificar se as famílias conseguem arcar com a cobrança adicional e se o condomínio conseguirá manter o pagamento de funcionários, prestadores de serviço, manutenção e contas de consumo. Uma taxa extraordinária elevada ou uma parcela do financiamento embutida no orçamento pode elevar os atrasos nos pagamentos e comprometer a arrecadação prevista.

Por isso, o histórico de inadimplência funciona como um dos principais indicadores para a tomada de decisão. Também devem ser analisados o fluxo de caixa, a diferença entre receitas e despesas fixas, o nível do fundo de reserva e o comportamento dos moradores em cobranças extraordinárias anteriores. "A avaliação não pode se limitar a verificar se o condomínio consegue contratar o empréstimo, mas se conseguirá manter esse compromisso ao longo do tempo sem comprometer gastos essenciais", pondera Mack.

O guia de financiamento para condomínios elaborado pela plataforma SíndicoNet em parceria com o CondoConta orienta mapear o fluxo de caixa dos seis meses anteriores e calcular quanto a nova parcela acrescentará à mensalidade. O material também adverte que empréstimos frequentes para cobrir despesas rotineiras podem esconder um orçamento desbalanceado. O crédito pode dar alívio diante de uma queda temporária na receita, mas não resolve um quadro de inadimplência estrutural sem medidas efetivas de cobrança e revisão dos gastos.

Na comparação entre propostas, a taxa de juros anunciada isoladamente não é suficiente. Karol orienta observar o Custo Efetivo Total, que engloba juros, tarifas, impostos e demais encargos. Prazo, período de carência, sistema de pagamento, garantias exigidas e condições para quitação antecipada também afetam o valor final.

Prazos mais extensos diminuem o valor da mensalidade, porém aumentam o total pago. Uma taxa prefixada facilita o planejamento porque permite conhecer antecipadamente o valor das parcelas. A melhor escolha, na visão de Karol, depende da capacidade financeira do condomínio e das condições completas de cada operação.

As garantias solicitadas merecem atenção especial. Em alguns contratos, a instituição financeira pode pedir a transferência de recebíveis futuros, comprometendo parte das mensalidades com o pagamento da dívida. A administração precisa saber qual receita ficará afetada, por quanto tempo e quais as consequências em caso de atraso. Também é fundamental verificar a idoneidade do credor e desconfiar de ofertas com aprovação simples demais ou condições muito inferiores às praticadas no mercado.

A contratação deve ser realizada em nome do condomínio, jamais em nome pessoal do síndico. A proposta precisa ser apresentada em assembleia, com detalhes sobre finalidade, valor, prazo, custo efetivo total, garantias e impacto nas mensalidades. O quórum necessário deve respeitar a natureza da obra, a convenção condominial e a legislação aplicável. Soares reforça que todas as decisões e condições aprovadas precisam ser registradas em ata.

A prestação de contas continua após a liberação dos recursos. O saldo devedor, as parcelas pagas e restantes, a aplicação dos valores e os efeitos no caixa devem ser comunicados periodicamente aos moradores. O acompanhamento permite identificar rapidamente aumento da inadimplência ou dificuldade para manter os gastos regulares.

Ao converter o custo imediato de uma obra em uma obrigação de longo prazo, o financiamento resolve um problema presente, porém cria um compromisso coletivo. A segurança da operação depende de provar que a intervenção não pode ser adiada, analisar todas as alternativas e demonstrar que o condomínio conseguirá pagar a dívida sem afetar o funcionamento do edifício.

Fonte: A TARDE

Share
Artigos relacionados
Economia

Dois apostadores baianos conquistam prêmio de R$ 31,8 mil na Mega-Sena

Dois sortudos residentes na Bahia conseguiram acertar cinco dos seis números do...

Economia

Região Nordeste desponta como polo de oportunidades profissionais no cenário nacional

O Nordeste consolidou sua posição como a região mais atrativa para profissionais...

Economia

Bancários da Caixa recusam última oferta e mantêm greve por tempo indeterminado

A paralisação dos empregados da Caixa Econômica Federal permanece sem prazo definido...

Economia

Concurso 6100 da Loteria Federal tem sorteio neste domingo em São Paulo

A Caixa Econômica Federal promove neste domingo (13) o aguardado sorteio do...