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Patrimônio religioso da Baía de Todos-os-Santos permanece subutilizado, defende presidente do Conselho Baiano de Turismo

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Fonte: A TARDE
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A Baía de Todos-os-Santos guarda um tesouro ainda pouco explorado: o turismo religioso. A afirmação é de Pedro Manoel da Costa, presidente do Conselho Baiano de Turismo e diretor de Turismo da Associação Náutica da Bahia, durante entrevista concedida ao jornal A TARDE.

Segundo Costa, a baía que abriga 18 municípios em seu entorno possui um patrimônio arquitetônico, cultural e espiritual de valor inestimável. Entre os destaques estão igrejas como a de Nossa Senhora das Candeias, São Francisco do Conde, Itaparica, Loreto, Nossa Senhora de Guadalupe, Maragogipe e Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro. Além dessas, Salvador concentra dezenas de templos construídos de frente para as águas da baía.

"Nós temos nas mãos um tesouro do turismo religioso", enfatiza o especialista, lembrando que a Bahia concentra o maior número de terreiros de candomblé do Brasil, atraindo visitantes interessados nas religiões de matrizes africanas.

O entrevistado recorda que Salvador foi palco de momentos fundamentais da história religiosa brasileira. Em 1509, quando Diogo Álvares Correia, o Caramuru, naufragou nos Baixios do Rio Vermelho, ele estabeleceu laços com os indígenas e casou-se com Catharina Paraguaçu, filha do cacique Taparica. Ela teve um sonho com pescadores retirando uma imagem do mar, convencendo-o a erguer uma capela que se transformou na Igreja Nossa Senhora da Graça, considerada a primeira igreja construída no Brasil.

Em 1552, foi criada a Diocese de São Salvador, a primeira do país, e dois séculos depois, Salvador tornou-se a primeira arquidiocese da América do Sul.

Santa Dulce dos Pobros: um ícone nacional

A primeira santa brasileira, canonizada em 2019, tem relação direta com a baía. Santa Dulce dos Pobres mantém o Memorial e o Santuário em funcionamento no Largo de Roma, ocupando as antigas instalações do Cine Roma, adaptado temporariamente para acolher os fiéis.

Costa defende a construção de um santuário permanente em local de maior porte. Ele sugere a antiga fábrica da Companhia de Cimento Salvador (Cocisa), situada na Praia de Inema, em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário. A área, com 500 mil metros quadrados e pertencente ao governo estadual, possui um terreno elevado com vista privilegiada para a baía.

"Seria o maior santuário do Brasil. Tenho encontrado receptividade, mas ainda não convenci a Cúria. Porém, acredito que Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, é favorável à ideia", afirma.

O Hospital Santo Antônio, maior unidade filantrópica do país, também seriabeneficiado por essa estrutura, segundo Costa. "A instituição precisa de uma fonte de receita sustentável. O santuário no Subúrbio, próximo à praia do Cantagalo onde Santa Dulce rezava olhando para a baía, geraria recursos para manter as obras sociais que ela criou", explica.

Fórum Internacional Náutico

O 2º Fórum Internacional Náutico, realizado nesta semana em Salvador, reúne especialistas do Canadá, Espanha, Portugal e França para debater o desenvolvimento do setor. Entre os temas em discussão está a criação de um "Caminho de Santiago" adaptado à realidade baiana, integrando embarcações e templos religiosos.

"Queremos desenvolver o Caminho de Santa Dulce, percorrendo as igrejas do Recôncavo, incluindo templos espanhóis como o de Nossa Senhora de Guadalupe na Ilha dos Frades e o de Santiago no Rio Paraguaçu", detalha Costa.

A exemplo de Aparecida, que recebe 15 milhões de visitantes anualmente, o potencial de geração de renda é significativo. Portugal ilustra esse fenômeno: dos 40 milhões de turistas que recebe por ano, cerca de 12 a 15 milhões visitam o Santuário de Fátima.

Infraestrutura e integração

A construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), a nova rodoviária em Águas Claras e a recuperação da Estrada do Derba até a Base Naval de Aratu são apontadas como fatores favoráveis para desenvolver percursos turísticos na região.

Quanto à estrutura náutica, Costa reconhece que existem marinas de qualidade na baía, mas faltam indústrias de equipamentos e construção naval. Os rios Paraguaçu, Maragogipe e Subaé oferecem condições para instalação de empreendimentos do setor.

"A indústria náutica pode surgir e avançar a partir dessas iniciativas. Precisamos planejar agora, pois Aparecida levou 35 anos para ser concluída. Podemos triplicar o fluxo turístico na Bahia", conclui.

Currículo

Pedro Manoel da Costa é advogado, historiador e professor. Atuou como presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-BA) por quatro gestões e foi vice-presidente nacional da entidade por duas vezes. Fundou a Federação Nacional de Turismo e a Fundação Salvador Convenções e Eventos (Convention & Visitors Bureau).

Fonte: A TARDE

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