Aos 71 anos, completados na última quinta-feira, Marina Lima demonstra que o tempo não representa obstáculo para a criação artística. A artista sobe ao palco da Concha Acústica do Teatro Castro Alves neste domingo, às 19h, para uma apresentação que celebra suas sete décadas de carreira. O espetáculo integra o projeto Concha Para Todos, que desde 2024 tem aproximado equipamentos culturais do público soteropolitano por meio de ingressos acessíveis.
No repertorio, o público poderá ouvir sucessos que marcaram gerações, como Fullgás, À Francesa e Uma Noite e Meia. As faixas dividem espaço com músicas do álbum Ópera Grunkie, trabalho mais recente da cantora, lançado em março. O disco ainda conta com colaborações de Laura Diaz, Ana Frango Elétrico e Adriana Calcanhotto, estabelecendo pontes entre Marina e novas gerações de músicos.
O álbum ocupa lugar especial na trajetória da artista. Trata-se do primeiro trabalho com músicas inéditas lançado após o falecimento de seu irmão, Antonio Cícero, em 2024. Poeta, filósofo e letrista, Cícero foi parceiro fundamental na construção de diversas faixas memoráveis da carreira de Marina. A colaboração entre os irmãos, que atravessou décadas, imprimiu às canções uma intimidade que transcende a simples composição musical.
Marina mantém relação antiga com Salvador. Ainda jovem, com pouco mais de 20 anos, veio à capital baiana divulgar seu primeiro álbum, Simple Como Fogo, de 1979. Na ocasião, passou por emissoras de rádio locais e conviveu com familiares na Cidade Baixa. "Eu tenho uma relação mágica com Salvador", afirmou a artista, que também reconhece na cidade um papel na descoberta da música brasileira durante sua adolescência.
A conexão entre Marina e Salvador se reforçou ao longo dos anos. Em junho de 2025, a cantora se apresentou na mesma Concha Acústica durante a turnê Rota 69, que commemorava 45 anos de carreira. Agora, pouco mais de um ano depois, retorna ao palco baiano com nova fase do trabalho.
No show, o público experimenta a amplitude do universo artístico de Marina. A versatilidade permite que faixas como Paraísos Artificiais coexistam na mesma noite com versões de Billie Eilish. Para a artista, essa liberdade de experimentar define sua trajetória. "Sempre senti um interesse mútuo, uma conexão muito forte com Salvador e a música baiana", completou.
O espetáculo acontece na Concha Acústica do TCA, localizada na Avenida Alberto Pinto, número 11, no bairro de Campo Grande. Os ingressos custam 120 reais na inteira do terceiro lote, com a meia entrada já esgotada. A bilheteria do teatro permanece aberta para a venda presencial.
Fonte: A TARDE