Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com base no Censo 2022 revela que brasileiros com deficiência enfrentam condições habitacionais mais precárias do que aqueles sem deficiência. Os dados mostram disparidades significativas no acesso a serviços básicos de saneamento, internet e equipamentos domésticos.
No que diz respeito ao esgotamento sanitário, 59,8% das pessoas com deficiência residem em domicílios com fossas ou ligação à rede coletora de esgoto, enquanto esse percentual atinge 63,1% entre pessoas sem deficiência. A diferença também se manifesta no fornecimento de água tratada: 82% das famílias com pessoas com deficiência têm acesso à água por rede pública ou distribuição, contra 83,1% das demais famílias. Quanto à coleta de lixo, os índices são de 90,1% e 91,1%, respectivamente.
Quando analisados os três serviços de saneamento simultaneamente, apenas 56,6% dos lares onde vivem pessoas com deficiência possuem acesso completo, frente a 60,2% das moradias habitadas exclusivamente por pessoas sem deficiência. As condições estruturais dos imóveis também apresentam diferenças: 2,4% dos domicílios de pessoas com deficiência não possuem banheiro exclusivo, contra 2,2% dos demais. Moradias com paredes externas de material não durável representam 1,4% entre pessoas com deficiência e 1,2% nas demais.
A exclusão digital também se faz presente. Apenas 78,9% dos lares com pessoas com deficiência possuem acesso à internet, enquanto o percentual sobe para 90,2% entre famílias sem deficiência. Entre os eletrodomésticos, máquinas de lavar estão presentes em 60,4% dos domicílios com pessoas com deficiência, contra 68,9% dos demais lares. O único indicador favorável a esse grupo é o adensamento excessivo: apenas 3% vivem em domicílios com três ou mais pessoas por dormitório, contra 4,8% das pessoas sem deficiência.
Segundo o pesquisador Leonardo Queiroz Athias, do IBGE, o perfil etário da população com deficiência explica parte dessas desigualdades. "Uma boa parcela das pessoas com deficiência é idosa. E os idosos frequentemente moram sozinhos", esclareceu o pesquisador.
O estudo também indica que pessoas com deficiência levam mais tempo em seus deslocamentos para o trabalho: 37 minutos em média, representando 12% a mais do que os 33 minutos gastos por trabalhadores sem deficiência. O ônibus é o principal meio de transporte utilizado, com 24,7% de adoção entre pessoas com deficiência, contra 21% entre as demais. O deslocamento a pé é feito por 23,7% das pessoas com deficiência e de bicicleta por 7,8%, enquanto entre pessoas sem deficiência esses índices são de 17,4% e 6,1%. Automóveis e táxis são utilizados por 32,8% dos trabalhadores sem deficiência, mas apenas por 22,8% daqueles com deficiência.
A representação política desse segmento também apresenta queda. Nas eleições municipais, o número de pessoas com deficiência eleitas caiu de 578 em 2020 para 415 em 2024. Entre vereadores homens, a redução foi de 459 para 356; entre mulheres vereadoras, de 63 para 35. Nas prefeituras, homens eleitos passaram de 47 para 23, e mulheres, de nove para apenas uma. As candidaturas também recuaram de 6.409 para 4.813 no mesmo período.
Em sentido contrário, o serviço público federal mostra avanço na inclusão. O percentual de servidores com deficiência saltou de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025. Nos cargos comissionados de níveis 1 a 12, a participação subiu de 0,5% para 2,8%, e nos níveis mais elevados, de 0,2% para 1,5%. Esse crescimento pode estar relacionado ao aumento no número de servidores identificados com transtorno do espectro autista.
Sobre infraestrutura acessível, dados de 2023 apontam que apenas 490 dos 5.570 municípios brasileiros possuíam espaços públicos adaptados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, abrangendo 34,5% dessa população. Leis de passe livre municipal existiam em 480 cidades, onde viviam 46,1% das pessoas com deficiência. Por outro lado, 83,8% dessas pessoas habitavam municípios com políticas de promoçãovoltadas para esse público, 18,9% viviam em cidades com fundo municipal específico para direitos da pessoa com deficiência, e 36,5% residiam em municípios com profissionais capacitados para atender essa parcela da população nas prefeituras.
Fonte: A TARDE