O ex-atacante Edílson, conhecido como 'Capetinha', revelou os bastidores de um dos episódios mais polêmicos de sua carreira: a noite em que chegou armado ao centro de treinamento do Esporte Clube Vitória e efetuou diversos disparos para assustar companheiros de elenco. O caso ocorreu em 2004, antes de uma partida contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro, da qual acabou sendo cortado.
Na quinta-feira anterior ao incidente, a concentração do clube baiano havia sido alvo de marginais. Criminosos invadiram o local e fizeram perguntas sobre o paradeiro do atacante. “Eles perguntaram por mim: ‘cadê o Capetinha?’. Como eu era o principal jogador, queriam saber de mim. A galera informou que eu não estava concentrando naquele dia”, explicou Edílson em entrevista.
Após uma discussão com o então treinador Evaristo de Macedo, que exigiu sua presença na concentração junto ao grupo, Edílson chegou ao CT por volta das 22h30. Ao avistar Evaristo, o presidente Paulo Carneiro e alguns atletas conversando perto da piscina, decidiu pregar uma peça. “Pensei: vou dar um susto nos caras. Naquela época, eu tinha porte de arma e andava armado. Cheguei no estacionamento, puxei o freio de mão, dei cavalo de pau e abaixei o vidro disparando vários tiros para o alto”, lembrou.
A brincadeira provocou correria generalizada. Paulo Carneiro se jogou na piscina para se proteger, enquanto outros tentavam se esconder onde podiam. “O presidente se atirou na água, um correu para o mato, outro torceu o pé, outro quebrou o vidro da cozinha tentando entrar… Eu fui para meu quarto, tranquei a porta e fiquei ouvindo o barulho lá fora”, detalhou.
Depois dos disparos, Edílson foi summoned a uma reunião com membros da comissão técnica e da diretoria. O encontro deteriorou-se rapidamente em discussão acalorada com Evaristo de Macedo. “O Evaristo começou a falar muitas groselhas: ‘você é jogador ou marginal? Foi assim que você saiu do Flamengo, porque é marginal’”, completou.
Segundo o atacante, a rusga culminou em um empurrão no treinador. Na sequência, Paulo Carneiro decidiu que Edílson não entraria em campo contra o São Paulo. “Quando começamos a discutir, o presidente tentava acalmar. O Evaristo bateu no meu ombro. Pensei: esse velho vai me dar um soco como deu no Romário. Quando me virei, já fui empurrando, e ele caiu. Aí o presidente decidiu: ‘você não vai jogar’. Fui para casa e não entrei em campo”.
Sem seu principal jogador, o Vitória foi goleado por 4 a 1 pelo São Paulo, no Estádio Barradão. O atacante reintegrou-se aos treinos apenas na terça-feira seguinte e, anos depois, reconheceu o erro. “Não deveria ter feito aquela brincadeira de mau gosto, nem ter empurrado o Evaristo para me defender. Ele foi meu treinador no Corinthians, me ajudou muito, era um homem mais velho que eu devia respeitar. Acabei não respeitando, mas já pedi desculpas a ele e aproveito aqui para pedir desculpas novamente”, finalizou.
Fonte: A TARDE