Os órgãos de fiscalização do trabalho registraram uma explosão no número de queixas relacionadas a pressão indevida sobre funcionários por questões políticas nas eleições deste ano. Entre janeiro e setembro, o Ministério Público do Trabalho recebeu 809 inúmertas em todo o território nacional, um salto impressionante quando comparado aos 85 casos documentados no mesmo intervalo da última disputa presidencial, em 2022.
O volume deste ano também supera significativamente o desempenho das últimas eleições municipais. Em 2024, até setembro, haviam sido registradas 527 denúncias pelo mesmo órgão.
A concentração dos casos revela um padrão geográfico específico. O estado de São Paulo responde pelo maior número de inúmertas, com 126 registros, seguido por Minas Gerais, que contabilizou 94 casos, e pelo Rio de Janeiro, com 87 ocorrências. A disparidade fica evidente ao confrontar esses dados com anos anteriores. Em 2022, os mesmos três estados registraram apenas quatro denúncias em São Paulo, cinco em Minas Gerais e três no Rio de Janeiro durante idêntico período.
Mesmo em 2024, os números permaneciam bem inferiores. Naquele ano, São Paulo acumulou 61 denúncias até setembro, Minas Gerais registrou 30 e o Rio de Janeiro, 33.
A prática engloba qualquer tipo de conduta coercitiva, intimidação, ameaça ou vexame direcionado a trabalhadores e ligado a uma disputa eleitoral, com o objetivo de interferir na decisão de voto, na expressão de opinião política ou no apoio a determinados candidatos.
Entre as situações que configuram esse tipo de transgressão estão a oferta de vantagens ou a promessa de prejuízo no emprego conforme o desfecho das urnas, a obrigação de participar de eventos de campanha ou usar símbolos de candidatura específica. Também constituem violação comentários humilhantes ou discriminatórios direcionados a empregados que apoiem candidaturas concorrentes, a aplicação de pesquisas ou votações informais entre colaboradores e a manipulação de horários ou locais de trabalho no dia da votação.
Fonte: A TARDE