A corrida pelo governo do Ceará enfrenta seus momentos decisivos com um cenário completamente diferente do esperado inicialmente. Ciro Gomes, do PSDB, que começou a campanha como favorito isolado, agora vê sua vantagem encolher de forma expressiva diante de Elmano de Freitas, candidato do PT.
A explicação para essa mudança está em uma estratégia que pegou muitos de surpresa. O ex-presidenciável, que por anos esteve em lados opostos de Jair Bolsonaro durante as eleições presidenciais de 2018 e 2022, agora conta com o respaldo do PL e de aliados da família Bolsonaro no estado. A aproximação com o bolsonarismo rendeu a Ciro o apoio de lideranças regionais ligadas ao grupo político do ex-presidente.
Essa guinada não passou despercebida pelos concorrentes. Elmano de Freitas transformou a aliança em tema central de sua propaganda na televisão. Uma das campanhas exibidas buscou conectar diretamente Ciro e Bolsonaro, criando uma associação política que irritou a equipe do tucano. A peça publicitária acabou sendo questionada na Justiça eleitoral, resultando em 29 minutos de direito de resposta para Ciro, concedidos após 58 inserções que o vinculavam ao ex-presidente.
O peso desta eleição vai além da disputa pelo executivo estadual. Aos 68 anos, Ciro carrega consigo quatro campanhas presidenciais e décadas de influência na política cearense. Esta é sua primeira tentativa de retornar ao cargo de governador desde 1992, quando deixou a administração estadual. Para aliados e adversários, o resultado representa muito mais do que uma vitória ou derrota simples: trata-se de definir o futuro político de uma das figuras mais emblemáticas do estado.
Analistas políticos apontam que uma eventual derrota, especialmente após liderar as pesquisas no início da corrida, marcaria um ponto de inflexão na carreira de Ciro Gomes no Ceará. A consulta eleitoral está agendada para este domingo, 4.
Fonte: A TARDE