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Audi encerra unidade histórica na Bélgica e planeja reduzir quadro de funcionários em mais de 10 mil vagas

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Fonte: A TARDE
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A montadora alemã Audi anunciou o fechamento de sua fábrica em Bruxelas, na Bélgica, encerrando quase oito décadas de operações no local. A decisão afeta diretamente cerca de 3 mil trabalhadores que atuavam no complexo, que produzia modelos elétricos da linha de luxo da marca. O último automóvel saiu da linha de montagem em 28 de fevereiro de 2025, poniendo ponto final em uma trajetória iniciada em 1948.

A unidade belga fabricava os modelos Q8 e-tron e Q8 Sportback e-tron, veículos que fazem parte da coleção de carros de luxo da empresa. Nos últimos anos, however, a demanda por esses modelos apresentou queda expressiva, contribuindo para a decisão de encerramento. Em 2024, a fábrica produziu apenas 15.212 unidades, número significativamente inferior aos 53.555 veículos fabricados em períodos anteriores. A localização da planta, situada em área urbana consolidada, também dificultava expansões e gerava custos logísticos elevados.

Antes de confirmar o fechamento, a empresa buscou alternativas para manter a estrutura em funcionamento. A fabricante avaliou novos projetos e procurou investidores dispostos a assumir parte das operações, porém nenhuma proposta avançou de forma concreta. Com a decisão tomada, foram negociados pacotes de indenizações complementares, programas de reinserção no mercado de trabalho e condições especiais para colaboradores em faixas etárias mais avançadas.

Além do encerramento da planta belga, a montadora estabeleceu meta de eliminar até 7.500 posições em seu quadro na Alemanha até 2029. A previsão inicial era cortar até 6 mil vagas até 2027, sendo que em março de 2026 a empresa informou que aproximadamente 65 por cento dessa meta já havia sido concretizada ou formalmente acordada. Os cortes abrangem principalmente áreas administrativas, técnicas e de desenvolvimento de produtos. A redução não ocorrerá exclusivamente por meio de demissões, também serão utilizados mecanismos como aposentadorias, acordos voluntários e a redução natural do quadro, na qual vagas não são repostas quando um colaborador deixa a organização.

Na Alemanha, a Audi mantém um acordo de proteção de empregos válido até 2033, que impõe condições específicas a serem observadas durante as negociações com os representantes dos trabalhadores. Com a reestruturação, a empresa projeta economia de aproximadamente 1 bilhão de euros anuais no médio prazo, recursos que serão direcionados para áreas estratégicas como veículos elétricos, plataformas tecnológicas, programas de computador, transformação digital das fábricas e tecnologias emergentes.

Paradoxalmente, mesmo com o fechamento de unidades e a redução de pessoal, a montadora continua investindo pesado em modernização. A empresa anunciou aportes de cerca de 8 bilhões de euros nas fábricas alemãs nos próximos anos. Em Ingolstadt, um dos principais centros industriais da marca, a produção do Q3 foi ampliada em 2026 e prosseguem as preparações para novos projetos eletrificados. Em Neckarsulm, onde trabalhavam mais de 15 mil pessoas no final de 2025, são fabricados os modelos das famílias A5, A6, A8 e e-tron GT. A unidade recebe modernizações relacionadas à digitalização, inteligência artificial e preparação para veículos elétricos futuros.

Os resultados financeiros demonstram que as mudanças estruturais ocorrem em um momento de relativa estabilidade econômica. O Grupo Audi registrou receita de 65,5 bilhões de euros em 2025, com lucro operacional de aproximadamente 3,37 bilhões de euros, o que representa uma margem operacional de 5,1 por cento. A empresa busca adaptar suas operações às transformações do setor automotivo, que demanda investimentos crescentes em baterias, plataformas elétricas, softwares e sistemas digitais.

No Brasil, a situação é diferente. A fábrica mantida em São José dos Pinhais, no Paraná, continua em pleno funcionamento e entrou em uma nova fase em 2026 com a fabricação da terceira geração do Q3 e do Q3 Sportback. Para adequar o complexo às novas exigências, a empresa investiu aproximadamente 50 milhões de reais em equipamentos, infraestrutura e adaptações. Desde o início da produção nacional, em 1999, a Audi afirma ter aplicado cerca de 600 milhões de reais na unidade brasileira.

Fonte: A TARDE

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