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Bahia enfrenta desafio crítico na doação de órgãos: quase sete em cada dez famílias dizem não à coleta

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Fonte: A TARDE
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A campanha Setembro Verde, voltada à sensibilização sobre a doação de órgãos, ganha contornos dramáticos no estado da Bahia. Enquanto busca promover a compaixão e a solidariedade, os números revelam uma realidade preocupante: o estado ostenta o índice mais elevado de recusa familiar do país, com 67% das famílias optando por não autorizar a doação. Esse percentual contrasta com a média nacional, que fica em 45%, deixando claro o quanto a Bahia ainda precisa avançar nesse campo.

Dados do Registro Baiano de Transplantes, compilados até 2026, painted um cenário de espera angustiante. Ao todo, 4.202 pessoas estão na fila aguardando um transplante, sendo que 1.831 delas precisam especificamente de córneas para recuperar a visão. No período de janeiro a julho do ano corrente, apenas 617 procedimentos foram realizados em todo o estado. A taxa de doadores efetivos por milhão de habitantes na Bahia é de 14,7, enquanto o Brasil como um todo alcança 20,3 — uma diferença que reflete o impacto direto da recusa familiar.

A resistência em autorizar a doação está profundamente enraizada na ideia de "corpo íntegro", uma fantasia que ignora o processo natural de decomposição após o falecimento. Esse conceito se aproxima do que Augusto dos Anjos descreveu como "a última quimera" em seus Versos Íntimos, uma tentativa de esconder a verdade biológica inevitável da morte. Paradoxalmente, as religiões, que poderiam ser aliadas nesse processo, muitas vezes reforçam essa visão ao enfatizar a sacralidade do corpo, dificultando o diálogo sobre o tema.

Especialistas apontam que a solução passa por uma ampla divulgação de informações confiáveis e pelo diálogo direto com as comunidades. Ações educativas, relatos de pessoas que receberam transplantes, rodas de conversa e mobilizações comunitárias têm se mostrado eficazes para desmistificar o assunto e aproximar as famílias da causa. O Hospital São Rafael, por exemplo, promove no próximo dia 9 um encontro com médicos, líderes religiosos, representantes da sociedade civil e pacientes transplantados para discutir a importância da doação.

Vale lembrar que a decisão final pertence exclusivamente à família, principalmente quando o doador já não está em condições de expressar sua vontade. Por isso, é fundamental que cada pessoa deixe documentada, ainda em vida, sua posição sobre a doação de órgãos. Essa atitude pode fazer a diferença entre a vida e a morte para milhares de baianos que ainda aguardam na fila.

Fonte: A TARDE

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