Um levantamento inédito revela que as mulheres baianas recorrem à esterilização voluntária com frequência três vezes superior à dos homens. Os dados são do Observatório do Planejamento Familiar, vinculado ao Instituto Planejamento Familiar, e evidenciam uma concentração majoritária do método contraceptivo definitivo entre o público feminino.
Segundo o estudo, enquanto a taxa de laqueadura reaches 104,34 procedimentos para cada 100 mil mulheres no estado, o índice de vasectomias fica em apenas 34,42 por 100 mil homens. No cenário nacional, a diferença também se mantém expressiva: cerca de 118 laqueaduras contra 45 vasectomias por 100 mil habitantes acima de 15 anos.
A pesquisa destaca que, mesmo após as mudanças legislativas de 2022, quando a Lei número 14.443 simplificou o acesso aos procedimentos ao eliminar a necessidade de autorização do cônjuge e reduzir a idade mínima exigida, a procura pela esterilização feminina continua sendo significativamente maior.
Entre os municípios baianos com maiores indicadores de esterilização feminina, destacam-se Antas, com 2.135,61 procedimentos por 100 mil habitantes, seguido por Itaparica, com 1.921,09, e Camacan, com 1.445,41. Na esfera masculina, Itaparica lidera com 904,04, à frente de Camacan, com 804,98.
Um dado que chama atenção é que, dos aproximadamente 196 mil nascimentos mensais no Brasil, cerca de 15 mil mulheres realizam a laqueadura durante o parto. Esse número sozinho supera em mais do que o dobro o total de vasectomias efetuadas em todo o país.
A advogada Ana Clara Carvalho, cofundadora do Instituto Planejamento Familiar, reforça que a responsabilidade contraceptiva não deveria recair exclusivamente sobre as mulheres. "Homens e mulheres precisam ter acesso igualitário à informação e às diversas opções disponíveis para participar ativamente das decisões sobre sua vida reprodutiva", ponderou.
O instituto defende que a redução dessa disparidade depende de políticas públicas que incentivem a participação masculina no planejamento familiar, ampliem o acesso aos serviços de saúde e garantam que casais possam tomar decisões conjuntas sobre o número de filhos.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias