O rock pesado que fez história no início dos anos 2000 está de volta aos palcos baianos. Nesta sexta-feira, 28, o Rodox se apresenta no Largo da Tieta, no Centro Histórico de Salvador, a partir das 19 horas, dando continuidade a uma turnê que já está emocionando plateias pelo país.
A reunião reúne os quatro membros fundadores: Rodolfo Abrantes, Fernando Schaefer, Patrick Laplan e Pedro Nogueira. Para os fãs, o reencontro representa a chance de ouvir ao vivo clássicos como 'De Costas Para o Mar', 'Olhos Abertos' e 'Foi Bom Esperar', faixas que marcaram época nos dois álbuns da banda.
Rudolfo confessa que jamais imaginou revisitar esse capítulo de sua carreira. O cantor afirma que considerava aquela fase completamente encerrada, mesmo nutrindo grande affection pelo legado construído ao lado dos companheiros. Contudo, a experiência atual tem transformado completamente essa visão.
Segundo o vocalista, a motivação para o retorno surgiu de maneira inesperada. Durante um momento de lazer na praia, Rudolfo decidiu escutar novamente as composições do grupo e acabou sendo invadido por uma onda de emoções. Ao ouvir aquelas canções, o cantor não conseguiu conter as lágrimas.
Aquela experiência serve como um divisor de águas. O que começou como uma homenagem pontual durante sua turnê solo acabou evoluindo para o projeto atual. Aos poucos, as músicas antigas foram ocupando mais espaço nos espetáculos individuais, até que a ideia de reunir toda a formação original se concretizou.
Quando questionado sobre as mudanças percebidas em relação aos anos 2000, Rodolfo destaca a alegria como principal diferencial. O cantor descreve que naquela época subia aos palcos em um estado de confronto interior, lutando simultaneamente pela própria estabilidade emocional e espiritual. Agora, o clima entre os músicos é de satisfação genuína.
Patrick Laplan, baixista do grupo, complementa essa perspectiva. Para ele, o reencontro não pretende reconstruir a dinâmica que existia duas décadas atrás. Embora o conhecimento mútuo sobre os estilos musicais de cada um permaneça intacto, o tempo necessariamente provoca transformações.
O músico reconhece que diferenças e desencontros que poderiam atrapalhar a reconciliação já foram superados ou amadurecidos antes mesmo do anúncio da turnê. A primeira separação deixou um gosto amargo, uma sensação de que o potencial da banda não foi plenamente realizado. O momento atual oferece a oportunidade de reescrever essa narrativa.
Nos primeiros anos do milênio, o Rodox se destacou por incorporar elementos do new metal e por uma mistura eclética de influências. Patrick avalia que essa identidade singular fez com que o grupo occupasse um espaço inexplorado por outras formações no cenário rock nacional.
O retorno também tem revelado um público surpreendentemente renovado. Rodolfo informa que menos de um quinto dos espectadores que comparecem aos shows atuais efetivamente acompanharam a banda durante sua trajetória inicial. A disponibilidade do catálogo nas plataformas de streaming explica essa expansão.
O artista demonstra entusiasmo ao observar fãs consideravelmente mais jovens se emocionando com as composições. A conexão estabelecida com essas novas plateias representa uma das maiores recompensas do regresso.
Salvador ocupa um lugar especial nesse reencontro. O último espetáculo realizado pelo Rodox em sua fase anterior aconteceu justamente nessa cidade. A banda expressa gratidão por poder retornar com este projeto a um local tão significativo.
Na capital baiana, o grupo apresenta um show que contempla canções criadas há mais de duas décadas, porém sem a intenção de apenas repetir o passado. Patrick resume a filosofia: a comunicação musical acontece exclusivamente no presente.
SERVIÇO:
Rodox / Sexta-feira (28), 19h / Largo da Tieta (Rua das Laranjeiras – Centro Histórico) / Ingressos entre R$ 160 (segundo lote) e R$ 400 (camarote) / Vendas: meaple.com.br
Fonte: A TARDE