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Capital baiana sedia evento gratuito que debate a importância do brincar na formação das crianças

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Fonte: A TARDE
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A capital baiana será palco, neste sábado, de um evento gratuito dedicado à reflexão sobre a infância e o papel do brincar na vida das crianças. O 1º Encontro da Cultura da Infância, organizado pela Inovarte – iniciativa focada em formação e projetos voltados aos primeiros anos de vida –, acontece no Espaço Boca de Brasa Cajazeiras e reúne profissionais de diversas áreas para discutir a pergunta central: "Que infância desejamos cultivar?"

O encontro foi concebido a partir da observação de uma realidade enfrentada por educadores nas escolas: a sobrecarga causada pela multiplicidade de metodologias e cobranças que cercam o trabalho com crianças. Filipe Lima, pedagogo, psicopedagogo, artista e fundador da Inovarte, alerta que esse cenário pode afastar o foco daquilo que deveria ser prioritário.

"Antes de voltarmos nossa atenção para o método, precisamos olhar para a criança", defende Filipe. Para ele, o crescimento e desenvolvimento devem ser compreendidos como um percurso que inclui experiências como o brincar, a criação, a exploração e a experimentação. "Precisamos discutir o direito da criança de viver plenamente sua infância, sem a pressa de antecipar fases e transformar cada vivência em resultado mensurável", complementa.

A programação foi pensada para unir reflexão e experiência prática. Após a abertura, café de boas-vindas e momento musical de acolhimento, os participantes assistirão à apresentação de Meg Azevedo, cantora, multi-instrumentista, arranjadora, compositora e professora baiana, que conduzirá uma vivência com músicas que marcaram diferentes gerações.

Com mais de quatro décadas dedicadas aos palcos e quase 40 anos como professora de canto e instrumentos, Meg planeja um repertório capaz de despertar memórias da infância nos presentes. A artista destaca que as canções funcionam como portas de acesso a experiências arquivadas ao longo da vida. "A música estabelece um ambiente de sinestesia, reunindo diversos sentidos – olfato, paladar, memória auditiva – e conectando diferentes recordações", explica.

Meg também aponta a música como ferramenta para o desenvolvimento infantil, trabalhando aspectos como coordenação motora, percepção corporal, ritmo e noções de espaço e tempo. Ela própria uma pessoa com TDAH e espectro autista com nível 2 de suporte, relaciona parte de sua experiência às dificuldades de propriocepção – a consciência do próprio corpo e de seus movimentos. A artista conta que frequentemente esbarra e derruba objetos, e enxerga nas vivências musicais uma possibilidade de construir, desde a infância, relações mais conscientes com o corpo e o ambiente.

Essa visão também influencia sua perspectiva educacional. Defensora do anticapacitismo, Meg defende que educadores reconheçam as diversas formas de experienciar o mundo e evitem que pessoas neurodivergentes sintam necessidade de esconder suas características para se adequar aos ambientes. Para ela, abordar essas questões contribui para combater a desinformação e as violências que afetam grupos historicamente discriminados.

Em seguida, a pedagoga e educadora Miriam Teles von Hauenschild, fundadora da Escola Acalento – instituição pioneira na Pedagogia Waldorf na Bahia –, conduz uma reflexão sobre os ritmos da infância, a imaginação, a autonomia, a conexão com a natureza e o brincar livre, acompanhada de uma vivência prática com jogos e brincadeiras.

Criada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner em 1919, a Pedagogia Waldorf busca o desenvolvimento integral do ser humano por meio das dimensões do pensamento, do sentimento e da vontade. Para Miriam, respeitar as distintas fases do desenvolvimento infantil é um princípio fundamental dessa abordagem. "O princípio essencial é o respeito às etapas de desenvolvimento que cada criança atravessa", afirma.

O brincar livre ocupa lugar central nessa perspectiva. Segundo a educadora, essa vivência permite que as crianças elaborem emoções e situações que ainda não conseguem compreender completamente. "O brincar reorganiza todo o ser humano, e especialmente as crianças", destaca.

Miriam também chama a atenção para os impactos da redução do espaço dedicado ao brincar. "Quando não há espaço para a experiência do brincar, a criança se torna um mini-adulto, e há grande perda de criatividade, de bom humor e de presença no mundo de forma mais alegre e viva", pondera.

A reflexão sobre a memória volta a aparecer em outro momento do evento, conduzido por Filipe, que convidará o público a rememorar pessoas, lugares, músicas e brincadeiras que marcaram suas próprias infâncias. O encontro se encerra com a "grande roda", que reúne palestrantes e participantes para debater o papel das famílias, escolas e comunidades, seguida pela experiência "semeando o amanhã", na qual cada participante registrará uma palavra, desejo, compromisso ou reflexão para aplicar em seu cotidiano com as crianças.

A frase da escritora Lya Luft – "A infância é um chão que pisamos a vida inteira" – sintetiza a relevância desse período para a formação de cada pessoa. Assim como um solo que exige cuidados para que diversas possibilidades possam brotar, a infância é permeada por vivências que vão além da educação formal.

1º Encontro da Cultura da Infância – A Infância que Queremos Cultivar
Quando: sábado (10)
Horário: das 9h às 13h
Onde: Espaço Boca de Brasa Cajazeiras (Avenida Engenheiro Raymundo Carlos Nery)
Entrada gratuita, mediante inscrição pelo Sympla

Fonte: A TARDE

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