As vendas externas do Brasil aos Estados Unidos registraram retração de 9,7% nos primeiros oito meses de 2026, reflexo direto da implementação de um novo conjunto de tarifas pelo governo de Donald Trump. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 4, pela pasta responsável pelo desenvolvimento industrial e comercial do país.
De acordo com os números levantados, aproximadamente um quarto de tudo o que o Brasil exporta para a nação norte-americana ficou sujeito às novas sobretaxas. Os percentuais de incidência variam entre 25% e 37,5%, afetando produtos estratégicos da pauta comercial brasileira, a exemplo de aço, madeira, sucos e derivados de origem animal.
Mesmo com o desempenho negativo no acumulado do ano, o mês de agosto trouxe alívio aos exportadores nacionais. As comercialização para o mercado estadounidense avançaram 12,1% no período, interrompendo a sequência de quedas registradas nos meses anteriores.
O setor de proteína bovina merece atenção especial. As vendas internacionais de carne bovina brasileira recuaram 19,7% em agosto, movimento que tem relação direta com o esgotamento iminente da cota de importação definida pela China, principal compradora do produto nacional. Herlon Brandão, executivo responsável por estatísticas de comércio exterior, explicou que os exportadores anteciparam os envíos para não serem penalizados com a tarifa de 55% aplicada sobre volumes que excedem o limite estabelecido.
No oitavo mês do ano, o Brasil enviou ao exterior US$ 7,4 bilhões em produtos do agronegócio, US$ 8,3 bilhões em minérios e US$ 17,2 bilhões em itens da indústria de transformação. Por região, a Ásia liderou como destino das vendas nacionais, com US$ 13,5 bilhões, seguida pela Europa, com US$ 7,3 bilhões, América do Norte, com US$ 4,5 bilhões, e América do Sul, com US$ 3,6 bilhões.
No campo das compras internacionais, os bens intermediários lideraram com US$ 15 bilhões em agosto. Capitais e bens de consumo ficaram empatados com US$ 3,9 bilhões cada, enquanto derivados de petróleo e gás totalizaram US$ 3 bilhões. A Ásia respondeu por US$ 10,4 bilhões das importações, a Europa por US$ 6,2 bilhões, a América do Norte por US$ 5 bilhões e a América do Sul por US$ 2,6 bilhões.
Fonte: A TARDE