A Polícia Federal identificou, por meio de mensagens apreendidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, como o advogado Ciro Soares intermediou detalhes de uma viagem que contou com a participação de Pedro Gonet, filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O material analisado pelos investigadores indica que as despesas do filho do procurador foram autorizadas para serem pagas por Vorcaro.
Ciro Soares, que já exerceu a defesa jurídica do Banco Master, aparece em diversas conversas com o banqueiro envolvendo a organização da viagem. Em março de dois mil e vinte e cinco, o advogado enviou a Vorcaro uma fotografia tirada ao lado de Paulo Gonet. Na sequência, Ciro escreveu: "Liga aqui" e "Ele quer falar com você". O relatório da polícia registra quatro ligações entre os dois, com durações de cinquenta e sete segundos, vinte e sete segundos, dezessete segundos e três minutos e quarenta e nove segundos. O documento, contudo, não indica que o procurador tenha participado dessas chamadas ou conversado diretamente com o banqueiro.
Posteriormente, Ciro Soares encaminhou a Vorcaro mensagens atribuídas a Paulo Gonet e perguntou se Pedro Gonet poderia integrar o grupo da viagem. O banqueiro respondeu de forma simples: "Óbvio, né". Em abril de dois mil e vinte e cinco, membros da equipe de Vorcaro indagaram quais convidados poderiam ter despesas cobertas durante o deslocamento. O banqueiro autorizou a inclusão dos custos de Ciro Soares e de Pedro Gonet.
As comunicações analisadas pela Polícia Federal colocam Ciro Soares como um dos principais interlocutores do banqueiro na organização da viagem e na inclusão de Pedro Gonet entre os viajantes cujas despesas seriam assumidas por Vorcaro. O teor dessas conversas passou a fazer parte do conjunto de informações examinadas nas investigações envolvendo o empresário.
Os investigadores conseguiram acessar mensagens, contatos e outros dados armazenados nos celulares apreendidos de Vorcaro, proprietário do Banco Master. O empresário foi preso em março, e os aparelhos estavam protegidos por mecanismos de segurança. Mesmo assim, peritos em informática forense utilizam ferramentas especializadas para extrair e analisar conteúdos de dispositivos eletrônicos. Entre os recursos empregados estão plataformas de análise digital utilizadas por órgãos de segurança para contornar sistemas de proteção e recuperar informações de aparelhos bloqueados por senha, reconhecimento facial ou código de acesso.
Segundo especialistas em informática forense, após o desbloqueio de um dispositivo é possível extrair diversos tipos de dados, como conversas de aplicativos de mensagens, fotografias, vídeos, áudios, registros de chamadas e informações de geolocalização. Algumas imagens armazenadas nos dispositivos também podem conter metadados, que são informações ocultas capazes de revelar o local exato onde a fotografia foi feita.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias