O ministro Flávio Dino, membro do Supremo Tribunal Federal, manifestou nesta terça-feira sua preocupação com o avanço da corrupção nas entranhas do Poder Judiciário durante o debate sobre a condução de processos vinculados ao caso Banco Master. Em seu pronunciamento, o ministro enfatizou a necessidade de que situações similares recebam tratamento isonômico por parte da Corte.
Flávio Dino alertou que o volume de irregularidades envolvendo o Judiciário cresceu de forma significativa ao longo das últimas décadas. "Os juízes corrompidos do passado eram poucos e podiam ser contados nos dedos. Hoje, se reuníssemos todas as mãos presentes neste Plenário, ainda assim não seria possível acomodar todos os corruptos", declarou o ministro, reforçando a gravidade da situação atual.
O ministro defendeu ainda que a Corte não pode estabelecer múltiplos critérios de julgamento para casos essencialmente iguais. "Não podemos ter padrões distintos de decisão para situações que são rigorosamente equivalentes. O procedimento precisa ser uniforme", completou Dino, ao apresentar uma questão de ordem sobre a padronização dos procedimentos processuais.
Dino também apontou que o problema se estende a outras esferas do sistema de Justiça brasileiro. "No Conselho Nacional de Justiça, existem dezenas, centenas de casos gravíssimos. E isso atinge também o Ministério Público e a advocacia", informou o ministro, que entrou na carreira da magistratura por meio de concurso público em 1994, comparando o cenário presente com o que encontrou no início de sua trajetória profissional.
O pronunciamento aconteceu no contexto das discussões entre os ministros a respeito dos procedimentos adotados no caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1