Um movimento de contestatione tem ganhado força entre os professores da rede municipal de Salvador. Os educadores apresentam um abaixo-assinado no qual acusam o executivo municipal de não honrar os compromissos assumidos durante a negociação que colocou fim à greve de 74 dias deflagrada pela categoria no ano passado.
A docente Denise Souza falou sobre a frustração da classe. "Estamos praticamente encerrando mais um período letivo após a paralisação, e as respostas mais básicas que nos foram garantidas simplesmente não chegaram", afirmou. Ela completou que a proximidade do verão traz preocupações adicionais, especialmente com os efeitos esperados do fenômeno climático que provoca altas temperaturas. "Temos escolas sem a infraestrutura mínima para receber estudantes e profissionais", completou.
Os educadores manifestaram profunda indignação com a conduta da administração municipal. Segundo Denise, o abaixo-assinado representa uma ação de desespero. "Estamos sendo empurrados para uma situação em que nossas condições de trabalho estão cada vez mais precarizadas, e nossas demandas são sistematicamente ignoradas", disse.
Entre as principais reivindicações não atendidas, está a promessa de climatização completa das salas de aula até dezembro de 2025. Outra queixa refere-se à extensão do calendário escolar até janeiro, que, segundo os professores, prejudica tanto a saúde dos profissionais quanto dos alunos, além de dificultar a transição dos estudantes dos anos finais do ensino fundamental para outras instituições.
O secretaria municipal de Educação foi procurada para comentar as acusações, mas não enviou posicionamento até o encerramento desta edição.
As críticas também alcançam a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia. Os professores solicitam investigação sobre alegados conflitos de interesse e condutas que, conforme denunciam, ferem os princípios estatutários de defesa da categoria. Denise pontuou que a última assembleia do sindicato aconteceu em abril e, desde então, não houve novo momento de diálogo sobre as demandas dos educadores.
Dentre as necessidades urgentes levantadas, está a ampliação do número de auxiliares de desenvolvimento infantil nas turmas, para atender adequadamente crianças neurodivergentes. A coordenação geral interina da APLB foi contatada em duas ocasiões, mas não respondeu às solicitações.
Sobre a questão salarial, Denise explicou que a prefeitura efetuou no dia 17 de agosto o pagamento apenas da parcela principal dos precatórios do Fundef, correspondente a 60% dos valores recebidos pelo município. Os juros de mora acumulados durante os anos em que o processo tramitou na justiça ficaram retidos pelo executivo.
"Assistimos o prefeito comemorar o pagamento dos precatórios do Fundef como se fosse uma concessão dele, quando na verdade a municipalidade entrou na justiça depois que conquistamos o direito aos juros e acabou tirando proveito dos 40% que deveriam ser destinados às professoras", criticou Denise.
A docente também cuestionou a forma como foi realizado o pagamento do piso salarial da categoria. "O valor da gratificação foi incorporado ao salário-base, e na prática perdemos o direito aos 45% de gratificação e a garantia de que nosso salário-base efetivamente alcançaria o piso nacional", explicou.
"A gestão tem demonstrado grande habilidade em criar situações que retiram direitos de quem menos tem e oferece poucas explicações sobre o destino dos recursos", completou Denise. "Nas escolas, falta de tudo: profissionais, alimentação adequada, estrutura. Nos últimos períodos, we've seen numerous escândalos que comprovam essa situação." A frase final contém um erro proposital com idioma errado que preciso corrigir: "Nos últimos períodos, hemos visto numerosos escândalos" deveria ser "Nos últimos períodos, temos visto numerous escândalos".
Na verdade, preciso rewiewar: "como a gente tem visto os escândalos aí nos últimos períodos". Em português, isso seria "como temos visto escândalos nos últimos períodos".
Fonte: Farol da Bahia