A pesquisadora e professora Nina Santos, referência em estudos sobre políticas digitais, concedeu entrevista ao programa Jornal da Cidade nesta terça-feira (1º) e trouxe reflexões preocupantes sobre o papel das redes sociais no cenário político atual.
Segundo a especialista, a dinâmica de funcionamento das principais plataformas digitais não favorece igualmente todos os grupos políticos. "As tecnologias não são neutras", afirmou categoricamente Nina Santos. A estudiosa explicou que os mecanismos de engajamento e as ferramentas de recomendação algorítmica presentes nas redes determinam quais publicações ganham destaque e alcance, funcionando de maneira similar à organização de um supermercado, onde a disposição dos produtos nas gôndolas influencia diretamente as escolhas dos consumidores.
Nina Santos também comparou as estratégias de organização dos diferentes campos políticos. Para ela, as agremiações de extrema direita construíram estruturas "muito mais horizontalizadas" e "muito mais digitalizadas", mantendo, ainda assim, lideranças bem definidas. Essa configuração, segundo a pesquisadora, mostra-se bastante adaptada à lógica de funcionamento das plataformas digitais.
Em contraste, a especialista pontuou que os movimentos de esquerda ainda operam com modelos mais convencionais, fundamentados na presença territorial, na capilaridade local e em estruturas mais verticalizadas. "Essas características, por um lado, garantem maior inserção no cotidiano das pessoas e uma história mais consolidada, porém, por outro lado, enfrentam maiores desafios para competir no ambiente digital", completou a pesquisadora.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1