A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), protagonizou uma polêmica após circular nas redes sociais um vídeo em que sugere a realização de laqueadura em uma mulher sem o conhecimento ou consentimento dela. O registro foi feito durante a cerimônia de inauguration da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, na cidade de Garanhuns, ainda em 2025, mas só veio a público nos últimos dias.
Nas imagens, Lyra aparece conversando com outra mulher, supostamente uma funcionária da unidade de saúde. A interlocutora relata o caso de uma paciente que já possui sete filhos e descobriu uma nova gravidez. A governadora então responde sugerindo o procedimento cirúrgico de esterilização. "A gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí a gente bota na fila da laqueadura […] faz sem ela saber", declarou Lyra.
Após a repercussão negativa, a governadora utilizou suas redes sociais para reconhecer o episódio e pedir desculpas publicamente. "Há um vídeo circulando com uma fala equivocada sobre laqueadura. Não tenho compromisso com o erro. Peço desculpas. Como mãe e mulher, sei dos desafios de criar os filhos e tomar decisões sobre planejamento familiar", escreveu na legenda da publicação. No pronunciamento em vídeo, ela reforçou o pedido de desculpas e admitiu ter agido de forma desrespeitosa com a paciente.
A publicação dividiu opiniões among os seguidores. Enquanto alguns manifestaram apoio à gestora, muitos usuarios das redes sociais Expressaram repúdio à conduta. "Crime agora virou fala equivocada", escreveu um comentário. Outro usuário opinou: "Não são palavras que caibam na boca de alguém que defende os direitos das mulheres". Uma terceira pessoa declarou ter desistido de votar nela após o episódio.
A legislação brasileira determina que a laqueadura, cirurgia de esterilização definitiva que consiste em cortar, amarrar ou bloquear as tubas uterinas, deve ser realizada voluntariamente pela paciente. A Lei nº 9.263/1996, que regulamenta o planejamento familiar, exige que a vontade da mulher seja expressa formalmente, por meio de documento escrito e assinado. Além disso, a paciente precisa ser informada sobre os riscos cirúrgicos, efeitos colaterais, dificuldades de reversão e métodos contraceptivos reversíveis existentes. A lei estabelece pena de dois a oito anos de reclusão e multa para a realização do procedimento sem cumprir essas exigências.
O clima político em Pernambuco permanece tenso em meio à corrida eleitoral. Além dessa controvérsia, Lyra e seu principal adversário, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), têm se trocado acusações sobre a existência de "gabinetes de ataques" nas campanhas. Recentemente, panfletos anônimos foram distribuídos no centro da capital estadual, sugerindo que a governadora teria causado a morte do marido, falecido em 2022 devido a um infarto, para obter vantagem eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral também determinou a remoção de um perfil no Instagram que incitava pessoas a jogarem ovos na gestora.
Fonte: A TARDE