O Palácio do Itamaraty anunciou nesta quarta-feira que os Estados Unidos devem entregar uma nova oferta de negociação para resolver a disputa comercial envolvendo produtos brasileiros "em breve". A promessa foi feita após um encontro realizado na cidade de Milwaukee, no estado de Wisconsin, entre os chanceleres Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, respectivamente titulares das pastas de Relações Exteriores e de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e o embaixador comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.
Durante a reunião, que aconteceu paralelamente à reunião ministerial de comércio do G20, grupo do qual ambas as nações fazem parte, ficou definida a criação de um Grupo de Trabalho conjunto. O objetivo é debater os pontos sensíveis que envolvem um eventual acordo entre os dois países. A iniciativa surgiu após uma conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que orientaram suas equipes a retomarem o diálogo sobre o assunto.
Os produtos exportados pelo Brasil foram atingidos por duas ondas distintas de taxes impostas pelo governo norte-americano. A primeira, de 25 por cento, foi justificada pela acusação de que o Brasil adota práticas comerciais desleais contra empreendedores americanos, especialmente relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos PIX, ao etanol e à propriedade intelectual. A segunda, de 12,5 por cento, teve como argumento a alegação de que o Brasil não conseguiu frear a entrada de mercadorias provenientes de países que utilizam trabalho escravo.
Desde então, o Brasil tem se mobilizado para tentar reverter as medidas, mas agora acredita que a motivação por trás dos taxes é essencialmente política, e não comercial. O país entrou com um pedido formal de consultas na Organização Mundial do Comércio, argumentando que está sendo tratado de forma desigual quando comparado a outras nações parceiras. Do lado americano, a resposta foi de abertura para conversar sobre a questão.
Representantes dos dois governos se encontraram em Genebra, na Suíça, na semana anterior, dando início a uma contagem regressiva de sessenta dias para que um consenso seja alcançado. Caso não haja entendimento ao final desse prazo, qualquer uma das partes poderá solicitar a formação de um painel arbitral na OMC para decidir a disputa.
Os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para a China nesse ranking. Em nota oficial, os ministros brasileiros reforçaram o compromisso do país "de progredir, por meio do diálogo e da negociação, na busca por soluções para as questões que impactam o comércio entre as duas nações, sempre com foco na proteção dos interesses nacionais e na expansão de oportunidades para empresas e setores produtivos de ambos os lados".
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1