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Há três décadas, Fundação Cidade Mãe transforma destinos de crianças soteropolitanas por meio da criatividade e da educação social

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Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador
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A Fundação Cidade Mãe desempenha um papel fundamental na vida de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em Salvador. A instituição trabalha em duas frentes distintas: a primeira visaPREVENIR que os jovens se encontrem em contextos de risco, enquanto a segunda oferece proteção quando os direitos dessas crianças foram desrespeitados, garantindo, quando necessário, a separação temporária da família.

Ao longo de seus 31 anos de existência, milhares de jovens já tiveram suas histórias reescritas graças ao acompanhamento oferecido pela Fundação. Atualmente, a entidade acolhe aproximadamente dois mil crianças e adolescentes anualmente. Os atendidos participam de oficinas que acontecem no período oposto ao escolar, abrangendo diversas áreas como artesanato, musicalidade, capoeira,Coreografia, cena teatral e tecnologia da informação.

Essas ações são disponibilizadas em sete espaços distribuídos pela capital baiana, estrategicamente posicionados para alcançar diferentes comunidades. Aline Gomes, que ocupa o cargo de chefe de gabinete da instituição, destaca que manter os jovens ocupados durante o tempo livre representa uma estratégia essencial de cuidado.

"Enquanto a criança frequenta a escola em um período, no outro ela permanece conosco. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para assegurar a proteção e impedir que ela fique exposta a perigos", explicou a gestora.

De acordo com Aline, a produção artística constitui uma das principais ferramentas adotadas pela Fundação para trabalhar questões importantes com seu público. Nas oficinas, os participantes não recebem simplesmente materiais para criar. Antes, os educadores apresentam e discutem previamente o assunto que será explorado.

"Cada tema é trabalhado em ambiente escolar e nas oficinas com o objetivo de construir consciência, fomentar o pensamento analítico e fortalecer a autoconfiança. Nosso público enfrenta dificuldades significativas. Muitos não acreditam em si mesmos, chegam desmotivados, desconhecem suas capacidades e pensam que o futuro será uma repetição das referências negativas que encontram fora daqui", completou.

Entre os assuntos já explorados estão a preservação ambiental, a capital baiana e brincadeiras tradicionais. No momento, está em cartaz na Galeria Espaço Cultural, instalada na própria Fundação no bairro de Engenho Velho de Brotas, a mostra coletiva Arte e Sustentabilidade. A exibição reúne produções de dez inúmeroscriadores, incluindo trabalhos de convidados especiais e peças elaboradas por estudantes de outras unidades da Fundação.

O espaço recebe visitas de turmas de escolas, mas também permanece acessível a qualquer pessoa interessada. A intenção é conectar a comunidade ao trabalho realizado pela entidade e evidenciar as criações desenvolvidas pelos jovens. Gilson Cardoso, professor de artes da instituição, acredita que o trabalho criativo não deve ser encarado exclusivamente como preparação para uma futura profissão na área.

"Em diversas situações, o estudante pratica arte hoje, porém ao longo da vida descobre outras possibilidades e trilha caminhos diferentes. Temos ex-alunos atualmente na universidade, há inclusive um que se tornou agente de segurança pública e costuma dizer: 'Se a Fundação não tivesse cruzado meu caminho, não sei o que seria de mim'. Isso é bastante gratificante", contou.

Durante as oficinas, os participantes utilizam telas e tintas convencionais, mas também podem reaproveitar materiais que seriam descartados. Esse reaproveitamento representa outro componente do processo formativo. Gilson observa que alguns chegam com facilidade natural para o desenho, enquanto outros desenvolvem o talento através da prática constante.

"Existem meninos que já possuem essa predisposição, que apreciam desenhar e criam com rapidez. Contudo, a prática também é fundamental. Quanto mais se exercita, mais se aprende, mais se observa e mais se desenvolve a habilidade de desenhar. Sempre achei que a arte é poderosa e possui um potencial extraordinário. Produzir arte não significa simplesmente pintar algo para decorar uma parede. A arte transforma,auxilia no pensamento e na percepção", avaliou.

Saori Amorim, com apenas oito anos de idade, é uma das jovens atendidas pela Fundação. Há dois meses ela participa das atividades no turno da tarde, com maior interesse por tecnologia da informação, mas também frequenta aulas de dança, língua estrangeira e artesanato. Entre suas produções estão desenhos sobre a harmonia entre os povos e o equilíbrio ecológico.

"Já fiz diferentes pinturas. Uma representava a paz, outra tratava do meio ambiente e havia uma terceira repleta de flores, com um rio, árvores, vegetação, o sol e o firmamento", contou, demonstrando orgulho pelo que realizou.

Fonte: Prefeitura Municipal de Salvador

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