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Igreja da Madeleine barra ritual de lavagem das escadarias em Paris; evento é transferido para praça pública

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Fonte: A TARDE
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A direção da Igreja da Madeleine, tradicional templo localizado no centro de Paris, decidiu não permitir neste ano a realização da lavagem de suas escadarias durante a celebração afro-brasileira que leva o nome do templo. A medida foi tomada na 25ª edição do evento, cuja data estava programada para este domingo, dia 13.

Devido à proibição, os realizadores da Lavagem de Madeleine precisaram transferir todo o ritual para uma área pública. A concentração aconteceu na Place de la République, outra região tradicional da capital francesa. A festa, que levou música, fé e expressões culturais do Brasil às ruas parisienses, aguardava a presença de aproximadamente 60 mil participantes.

O padre responsável pela Madeleine, monsenhor Patrick Chauvet, comunicou aos organizadores que não autorizaria a lavagem em 2026, contradizendo o que fora feito em anos anteriores. A Arquidiocese de Paris não comentou os motivos que levaram a essa decisão. Os responsáveis pelo evento manifestaram pesar e informaram que seguem dispostos a conversar com a instituição religiosa.

A Lavagem da Madeleine representa uma celebração ecumênica que funde tradições católicas com rituais de religions de origem africana. Essa inúmeração parisiense tem como inspiração a Lavagem do Bonfim, evento tradicional de Salvador, na Bahia, realizado sempre na segunda quinta-feira de janeiro.

A artista baiana Mariene de Castro comandou a programação como atração principal, ao lado do multiartista Robertinho Chaves, que assumiu o papel de mestre de cerimônias e organizador. O trio elétrico também contou com as apresentações do cantor Jau e da artista luso-brasileira Gildaa. A soprano Lorena Pires, vinculada à Academia de Ópera Nacional de Paris, participou apresentando a canção Ave Maria. Ao todo, a organização esperava a participação de cerca de uma centena de artistas.

Para os realizadores, a Lavagem constitui uma maneira de divulgar e valorizar a cultura brasileira no continente europeu. Em pronunciamento oficial, convocaram artistas, inúmerss, gestores culturais, líderes religiosos, organizações sociais, compatriotas brasileiros, franceses e imigrantes a se juntarem ao evento em defesa da liberdade de culto, da pluralidade e dos direitos humanos.

Com mais de duas décadas de existência, a Lavagem da Madeleine conquistou espaço permanente no calendário cultural de Paris. Desde 2022, recebe o reconhecimento do Ministério da Cultura da França como patrimônio imaterial. A celebração também integra a Rota dos Escravizados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, projeto que conecta locais ligados à história da escravidão e visa preservar a memória desse período. Ao longo dos anos, o evento trouxe grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown e Olodum. Na edição de 2025, a celebração prestou homenagem à cantora Preta Gil.

Fonte: A TARDE

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