Durante sessão do Tribunal do Júri, Welbert Lopes Costa, irmão de Welton Lopes Costa, confrontou nesta quarta-feira as argumentações apresentadas pela defesa do ex-policial militar Emiliano Melo dos Santos, de 103 anos, que enfrenta julgamento pela morte de seu irmão. O assistente de acusação ouviu em coletiva à imprensa que a vítima jamais apresentou episódios de violência contra mulheres, contradizendo um dos pilares da tese defensiva.
Welbert declarou que a família foi criada sob valores de respeito e educação, especialmente no trato com as mulheres. "Nossa mãe sempre nos ensinou a ser pessoas corretas, educadas e respeitosas, principalmente com as mulheres", afirmou o irmão durante seu depoimento aos jurados. A declaração rebate diretamente as alegações da defesa, que tenta caracterizar o relacionamento entre Welton e Jeniffer Carvalho dos Santos como permeado por conflitos e episódios violentos.
O irmão da vítima também questionou a credibilidade de testemunhos prestados ao longo do julgamento. Segundo Welbert, pessoas que não presenciaram os fatos ou que não conheciam a dinâmica familiar estariam apresentando versões distorcidas sobre os acontecimentos. "Pessoas que nunca apareceram estão hoje falando o que não corresponde com a realidade. Todos conhecem a conduta de Emiliano no bairro", completou.
A defesa de Emiliano sustenta que o ex-PM agiu em legítima defesa própria e de terceiro ao intervir durante uma situação envolvendo Welton e sua companheira Jeniffer, que também foi atingida por um disparo. Os advogados alegam que Welton demonstrou comportamento agressivo e empurrou o acusado momentos antes dos tiros. A tese defensiva nega qualquer intenção homicida e afirma que Emiliano reagiu a uma situação que considerava de risco iminente.
Welbert manifestou confiança na Justiça e defendeu que seu irmão foi a verdadeira vítima do caso. "Acredito que a verdade vai prevalecer. Welton perdeu a vida por conta da conduta de um ex-policial", declarou. O julgamento prossegue com a oitiva de demais testemunhas e as alegações finais das partes antes da decisão dos sete jurados.
O Ministério Público é representado pelo promotor Luciano Santana Borges. Especialistas apontam que, mesmo em caso de condenação, Emiliano possui fundamentos para cumprir a pena em regime domiciliar, considerando sua idade avançada e as condições de saúde que apresenta.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias