O jurista Wálter Maierovitch comentou nesta quarta-feira, 23 de abril, durante participação no programa Três Pontos da Rádio Metropole, a criação do Escudo das Américas anunciada pelo governo de Donald Trump. Na análise do especialista, a medida representa uma forma velada de intervenção nos países latino-americanos, representando uma ameaça direta à soberania das nações da região.
Maierovitch critiquei duramente a iniciativa ao afirmar que se trata de pura violação de soberania e aumento de poder em território estrangeiro. "Porque quando eu falo de nação, eu tô falando de território, de governo e de povo. Então mudou agora de nome. Agora se fala em narcoterrorismo. Que são coisas absolutamente diferentes. E se inventa o Escudo das Américas, que nada mais é do que uma intervenção disfarçada. Uma invasão. Uma afronta à soberania", declarou.
O jurista explicou que o conceito de "narcoterrorismo" substituiu a antiga expressão "guerra às drogas", utilizada desde o governo Reagan nos Estados Unidos. Segundo Maierovitch, essa mudança de nomenclatura não é meramente linguística, pois amplia significativamente o enquadramento legal das ações contra organizações ligadas ao tráfico de drogas e permite uma atuação mais ampla de Washington em países da América Latina.
Ao mencionar experiências anteriores na Colômbia e no México, o especialista lembrou que a presença militar americana na região já gerou questionamentos sobre a soberania das nações envolvidas. Para ele, o Escudo das Américas insere-se em uma estratégia maior de projeção de poder dos Estados Unidos no continente.
Maierovitch também alertou para possíveis consequências no cenário político brasileiro, especialmente de olho nas eleições de 2026. O jurista relacionou o avanço da política externa de Trump com o ambiente interno do Brasil, citando o senator Flavio Bolsonaro como exemplo de como essas questões internacionais podem reverberar na política nacional.
Além disso, o especialista comentou sobre a retirada de um vídeo do programa "Revelando", apresentado por Fábio Porchat, que tratava de relações entre o Banco Master e a Igreja da Lagoinha. Na visão de Maierovitch, tais episódios fazem parte de um contexto mais amplo de disputas políticas e institucionais que precisam ser analisadas em conjunto com o cenário internacional.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1