O religioso JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações e conselheiro espiritual do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, manifesta-se publicamente contra a adoração à chamada "Rainha dos Céus", tema presente em sua obra literária publicada em 2001. O livro, denominado A Bomba: A verdade pode ser explosiva, editado pela empresa Doxxa, teve trechos revelados recentemente pelo blog do pastor Sérgio Lourenço, reacendendo o debate sobre as bases teológicas que fundamentam essa posição.
Nas páginas da publicação, o bispo afirma de forma incisiva: "Deus odeia o culto a Rainha dos Céus". Essa declaração adquire contornos políticos relevantes no contexto das eleições. Durante uma live realizada em agosto deste ano, Flavio Bolsonaro anunciou que, caso vença o escrutínio presidencial, sua primeira medida será estabelecer por decreto que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo.
A declaração provocou indignação entre representantes do catolicismo, que interpretaram as palavras como uma repulsa velada à mediação de Maria junto à nação. Bispos pronunciaram-se durante celebrações na Basilica de Nossa Senhora Aparecida, em Sermões críticos que repercurtiram entre os fiéis.
O vinculo entre o politico e a denominação Evangelica é profundo. No ano de 2024, Flavio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, underwent o batismo nas dependencias da Comunidade das Nações em Brasília. O senator transformou-se em frequentador assiduo do templo e escolheu o local para sua primeira aparição publica apos anunciar a pré-candidatura ao Palacio do Planalto, em dezembro de 2025.
Para defender sua posição, JB Carvalho baseia-se em passagens dos capitulos 7 e 44 do livro biblico de Jeremias. Sua interpretacao sustenta que a queda do reino de Judá e o exilio na Babilonia foram consequência da ira divina despertada pela adoração de incenso, alimentos e libacoes a uma entidade feminina. O autor argumenta que a poblacao cometeu o erro de atribuir sua prosperidade a essa figura, em detrimento do Deus de Israel.
Na obra, o prelado traça analogias entre a devoção mariana e costumes do paganismo ancestral. Na seção denominada A Lenda, ele narra a história de Semíramis, que teria instituido o culto ao marido falecido, Ninrode, e apresentado o filho Tamuz como reencarnação do conjuge, sendo então llamada "Rainha dos Céus". Carvalho conecta essa representação de mae e filho às imagens católicas de Maria com o menino Jesus.
Em outro trecho, sob o titulo Voltemos à História, o escritor defende quefestas dedicadas a deusas da Antiguidade foram incorporadas ao calendario das celebrações marianas, influenciando orações e liturgias católicas.
A tese apresentada pelo bispo reflete sua visão teologica pessoal. Do ponto de vista académico e histórico, a ideia de que a veneração a Maria teria origem no culto babilónico a Semíramis carece de comprovação documental sólida. As transcrições publicadas confirmam a condenação à "Rainha dos Céus", mas não oferecem elementos suficientes para sustentar a alegação literal de que orações católicas seriam direcionadas a entidades demoníacas.
A presença de JB Carvalho no circulo familiar do pré-candidato estende-se também aos livros consumidos pelo clã. Registros jornalísticos documentam que publicações do bispo foram levadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante visitas à prisão. Em novembro de 2025, Flavio foi fotografado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília segurando um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente. Em janeiro de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entregou ao marido a obra A jornada de meninos a homens, direcionada à formação masculina sob perspectiva cristã.
A circulação desses textos, somada ao batismo de Flavio e sua participação regular em cultos na Comunidade das Nações, evidencia que a liderança de JB Carvalho desempenha função central na construção espiritual e na articulação política do grupo conservador.
Fonte: A TARDE