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Onda de mobilizações antigoverno toma conta da Europa em meio a crises econômica e institucional

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Fonte: Últimas Notícias - Metro 1
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O continente europeu enfrenta, nos últimos dias, uma intensa onda de manifestações populares que reflete múltiplas insatisfações. A elevação do custo de vida, a escassez habitacional, a ausência de recursos em serviços essenciais e os desentendimentos no cenário político têm impulsionado milhares de cidadãos às ruas em diversos países.

No último sábado, dezenas de milhares de pessoas participaram de atos em diferentes nações europeias, com destaque para a participação massiva da chamada Geração Z. Na França, os atos chegaram ao terceiro fim de semana seguido de mobilizações. O movimento surgiu no final de setembro, inicialmente encabezado por estudantes que protestavam contra as condições precárias das escolas, a carência de docentes e os investimentos insuficientes no setor educacional. Rapidamente, porém, outras demandas foram incorporadas, como o custo de vida, os preços dos combustíveis, a moradia e cuestionamentos à gestão do presidente Emmanuel Macron. Os tradicionais coletes amarelos, que surgiram oppositionando o aumento dos preços dos combustíveis, também retornaram aos protestos. A mobilização frenchista mobilizou centenas de milhares de participantes. De acordo com as autoridades, aproximadamente 320 mil pessoas prestigiaram os atos no sábado, número inferior aos 410 mil da semana anterior e aos 550 mil do dia 17 de outubro. Mesmo com a redução no comparecimento, grupos isolados entraram em confronto com as forças policiais, resultando em incêndios e saques. Mais de 70 mil efetivos de segurança foram acionados em todo o território francés.

A efervescência social não se restringiu às fronteiras da França. Na Alemanha, jovens convocaram protestos em Berlim, Frankfurt, Colônia e Munique. O movimento denominado "Gen Z regelt", cuja tradução seria "A Geração Z dá conta disso", reivindica investimentos em educação e saúde, políticas de preservação ambiental e melhorias nas condições econômicas. A eventual reintrodução do serviço militar obrigatório também figura entre os receios dos participantes. As manifestações foram programadas para coincidir com o Halloween, artifício utilizado pelos organizadores para potencializar a adesão e a repercussão do movimento.

Em Portugal, milhares de pessoas voltaram a se reunir no centro de Lisboa para demonstrar oposição ao crescimento desenfreado dos preços de imóveis e aluguéis. Os participantes pressionam o Executivo a abandonar um projeto de lei que, na visão dos críticos, pode simplificar despejos e eliminar tetos para novos contratos de locação. A crise habitacional se intensificou nos últimos anos: os valores imobiliários triplicaram desde 2017, enquanto os aluguéis de novos contratos praticamente dobraram.

No Reino Unido, a mobilização apresenta outras caracteristicas. Em Londres, um protesto diante da Embaixada dos Estados Unidos terminou com dezenas de detenções após os participantes manifestarem solidariedade à organização pró-palestina Palestine Action, banida pelo governo britânico. A polícia confirmou posteriormente que 139 indivíduos foram algemados. A legislação britânica tipifica como crime demonstrar apoio à entidade, classificada pelo Executivo como organização terrorista. Um ato similar foi realizado em Edimburgo, na Escócia, sem registros de prisões até o momento.

Enquanto as ruas fervilham de manifestações, a Polônia atravessa uma grave crise institucional. A tensão entre o primeiro-ministro Donald Tusk e o presidente Karol Nawrocki escalou após uma disputa pelo controle do Tribunal Constitucional. Uma magistrada afastou o presidente da Corte, Bogdan Swieczkowski, alinhado ao antigo governo nacionalista Lei e Justiça, assumindo interinamente a direção do tribunal. A decisão provocou manifestações em frente ao prédio da instituição e obrigou Nawrocki a interromper uma viagem internacional para retornar ao país. O episódio representa mais um desdobramento de uma rivalidade que persiste desde 2015, quando o governo do Lei e Justiça realizou indicações para o Tribunal Constitucional questionadas posteriormente pela União Europeia e pelo administration de Tusk. Desde sua recondução ao poder, em 2023, o primeiro ministre busca reforms no sistema jurídico, mas esbarra na resistência do presidente e da oposição nacionalista.

Embora possuam origens distintas, os acontecimentos revelam um continente pressionado simultaneamente por desafios econômicos e políticos. Para os jovens, os gastos com moradia, as perspectivas profissionais e a qualidade dos serviços públicos constituem as principais angústias. Uma sondagem da União Europeia citada pela Reuters indica que 40% dos indivíduos entre 16 e 30 anos manifestavam preocupação com preços e custo de vida em 2025. A proliferação de protestos, portanto, não configura necessariamente um movimento europeu unificado. São mobilizações com reivindicações próprias, mas que compartilham uma insatisfação crescente com o custo de existir, a capacidade dos governos de atender às demandas sociais e, em determinadas nações, o próprio funcionamento das instituições democráticas.

Fonte: Últimas Notícias – Metro 1

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