O Congresso Nacional foi marcado nesta segunda-feira por uma operação de grande repercussão. Agentes da Polícia Federal cumpriram mandatos de busca e apreensão contra o diputado federal Antonio Cezar Correia Freire, mais conhecido como Cezinha de Madureira, do partido PL de São Paulo. A ação faz parte da terceira fase da Operação Transparência, que apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e supostas negociatas envolvendo decisões judiciais.
Cezinha de Madureira ocupa atualmente seu segundo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, tendo sido eleito pela primeira vez em 2018 e reconduzido ao cargo em 2022. Inicialmente filiado ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, ele migrou posteriormente para as hostes do PL. Antes de chegar ao cenário nacional, o parlamentario havia exercido mandato na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, acumulando experiência política tanto no âmbito estadual quanto federal.
Fora do universo legislativo, o deputado mantém atuação como pastor da Assembleia de Deus Ministério de Madureira em São Paulo, uma das maiores denominações evangélicas do território brasileiro. Essa função religiosa lhe conferiu grande ascendência junto a outros parlamentares do segmento evangélico, fortalecendo sua posição dentro do Congresso. Ele mantém proximidade com o bispo Samuel Ferreira, figura de destaque no cenário religioso nacional.
As investigações apontam que o parlamentar pode ter intermediado encontros entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Documentos levantados pela corporação indicam que Cezinha, juntamente com o advogado Ciro Rocha Soares, teria articulado uma reunião entre Vorcaro e o magistrado em março de 2025. As autoridades buscam determinar se tais contatos tinham como objetivo influenciar deliberações judiciais em troca de pagamentos.
A operação desta segunda-feira executou quatro mandatos nas cidades de São Paulo e no Distrito Federal, tendo sido autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo. A Polícia Federal enfatiza que, até o momento, não foram identificados indícios de participação de ministros ou outros juízes no suposto esquema de venda de influência. O caso prossegue sob sigilo enquanto novas provas são coletadas.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1