A Polícia Federal anunciou nesta semana o encerramento da apuração sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O pedido de investigação havia sido formalizado pela Advocacia-Geral da União na semana anterior e tratava de um possível financiamento americano a grupos que se opunham a decisões do Supremo Tribunal Federal.
O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, havia informado no domingo do primeiro turno das eleições que o caso estava sendo analisado pela Diretoria de Inteligência. Na ocasião, ele esclareceu que se tratava de um procedimento preliminar e que a portaria do inquérito ainda não havia sido oficialmente publicada.
A representação da AGU teve como base uma publicação do jornal britânico The Guardian, que revelou a existência de um programa chamado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". Segundo aReportagem, o projeto previa o aporte de aproximadamente 5 milhões de reais para organizações que criticavam supostos abusos do Poder Judiciário e a chamada censura feita pelo Supremo.
De acordo com o periódico britânico, os recursos integram um conjunto de 175 milhões de dólares, cerca de 918 milhões de reais, provenientes do principal fundo de direitos humanos vinculado ao Departamento de Estado norte-americano. Desse total, 40 milhões de dólares seriam destinados a um fundo anticomunista, enquanto grupos de defesa dos direitos de sul-africanos brancos também estariam na lista de beneficiários. Além disso, aliados ideológicos dos Estados Unidos na Europa seriam incluídos em programas de recompensas.
Esta não foi a primeira controvérsia entre o governo brasileiro e a administração norte-americana. Em julho de 2025, os Estados Unidos aplicaram sanções ao ministro Alexandre de Moraes utilizando a Lei Magnitsky. A medida foi interpretada como retaliação à condução do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, após sua derrota na tentativa de reeleição em 2022. As sanções foram posteriormente revogadas em dezembro.
O surgimento do financiamento a grupos no Brasil acontece em um momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera estar diante de uma tentativa de ingerência de Washington nos assuntos eleitorais do país.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1