A gestão municipal de Salvador anunciou nesta segunda-feira (14) a abertura do edital Prêmio Wanda Chase, um programa de fomento que vai contemplar 250 instituições culturais com um total de R$ 2,5 milhões. Cada entidade selecionada receberá R$ 10 mil para investir em suas atividades ligadas ao Carnaval e à valorização de expressões culturais negras e populares.
O lançamento aconteceu na sede da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), no bairro do Comércio, com a presença do prefeito Bruno Reis e da secretária municipal da Reparação (Semur), Isaura Genoveva. Segundo o chefe do executivo municipal, a iniciativa representa uma forma de reparação étnico-racial direcionada àqueles que mantêm vivas as tradições e identidades que compõem a história da capital baiana.
“A premiação vai valorizar e fortalecer diversos blocos que arrastam multidões pelos circuitos da maior festa de rua do planeta. A partir de amanhã, as instituições carnavalescas poderão se candidatar de forma democrática, somando-se a outros investimentos como a disponibilização de trios e minitrios, além de contratações de artistas e patrocínios”, explicou o prefeito.
Podem se inscrever agremiações como afoxés, blocos afro, blocos de reggae, blocos de samba, blocos indígenas, grupos de capoeira e coletivos de hip hop que tenham sede ou atuação em Salvador. Os requisitos incluem no mínimo cinco anos de fundação e comprovação de participação em pelo menos duas edições do Carnaval soteropolitano.
A seleção considerará critérios como perfil e trajetória da entidade, atuação no combate à discriminação racial, relevância para a promoção das expressões culturais afro-brasileiras, tempo de existência e participação em desfiles. Entities que demonstrem maior presença de mulheres, jovens, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQIAPN+ e quilombolas em seus quadros diretivos poderão receber pontuação adicional de até dez pontos, sem que isso configure reserva de vagas.
Isaura Genoveva explicou que o objetivo é transformar em política pública permanente um apoio que a Prefeitura já concedia a manifestações culturais negras e indígenas. “Alteramos o Estatuto da Igualdade Racial para criar um artigo específico que garante essa reparação por meio da cultura de Salvador, da cultura preta”, pontuou a gestora.
Representantes de entidades carnavalescas festejaram a iniciativa. Alberto Lázaro, o Betão, da Associação do Coletivo de Entidades Carnavalescas de Matriz Africana e do Bloco Sambetão, comemorou a possibilidade de planejar com mais antecedência. “Com 57 anos de Carnaval nos circuitos Batatinha e Osmar, e um trabalho centralizado na Cidade Baixa, considero essa uma política pública acertadíssima”, avaliou.
Homenagem – O prêmio leva o nome de Wanda Chase (1950-2025), jornalista amazonense que construiu carreira na Bahia e ficou conhecida por sua atuação na valorização da cultura negra e pela cobertura afetiva do Carnaval soteropolitano. O prefeito Bruno Reis lembrou do legado da profissional. “Wanda cobria a área da cultura com emoção, sempre na defesa dos movimentos afro da nossa cidade, levando isso para o Brasil e para o mundo. Deixou uma contribuição significativa para todos que militam no movimento negro em Salvador”, afirmou.
Thelma Chase, irmã da homenajeada, expressou emoção durante a cerimônia. “Viva a Wanda, que amou Deus, a família, a Bahia e os baianos. Viva a Bahia, que respeita e mantém viva a história e o legado deixados por ela”, declarou.
As inscrições começam nesta terça-feira (15) e prosseguem até 19 de novembro, conforme as regras disponíveis no site da Semur.