Na Escola Municipal de Santiago do Iguape, localizada na comunidade quilombola do Iguape, em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, uma professora está transformando a forma como os alunos aprendem língua portuguesa. Maria Delvair Batista Santos, pedagoga e estudante de pós-graduação em musicoterapia, desenvolveu o projeto Atendimento Educacional Complementar em Língua Portuguesa, conhecido como AEC, que utiliza música, jogos, dinâmicas e outras estratégias criativas para reforçar a aprendizagem.
A iniciativa surgiu após a docente perceber que muitos estudantes apresentavam dificuldades para escrever, ler e interpretar textos, situação que se agravou especialmente após o período de pandemia. "Eu me vi desafiada a encontrar formas de ajudar esses alunos que não conseguiam desenvolver essas habilidades fundamentais", explicou Maria Delvair.
Inicialmente criado para atender estudantes com necessidades específicas, o projeto foi ampliado e agora contempla todas as turmas do 6º ao 9º ano, além de alunos da Educação de Jovens, Adultos e Idosos. A expansão aconteceu porque a coordenação pedagógica identificou que essas dificuldades estavam presentes em diferentes séries e afetavam o desempenho em diversas disciplinas.
As atividades são oferecidas no turno inverso das aulas regulares e incluem alfabeto móvel, jogos de ortografia, separação silábica, oficinas de produção textual, musicalização e poemas. Tudo começa com um momento de conversa e acolhimento, followed by a reflective message related to the topic that will be addressed. A professora também aplica conhecimentos de musicoterapia para trabalhar questões emocionais e ajudar os estudantes a lidar com a ansiedade.
Segundo Maria Delvair, os resultados já são visíveis. Os alunos participantes demonstram maior participação em classe, melhor integração com os colegas e mais interesse pelas atividades propostas. "Conseguimos tornar as aulas mais atraentes e prazerosas. Posso observar a evolução das habilidades deles ao longo do ano letivo", afirmou.
Além do trabalho desenvolvido na escola, a rede municipal de educação de Cachoeira conta com o Núcleo de Apoio Psicopedagógico Especializado, o NAPE, que oferece acompanhamento especializado para estudantes com dificuldades que interferem no processo de ensino e aprendizagem. A psicopedagoga institucional Rebecca Gondim explicou que o núcleo atua de forma articulada com equipes pedagógicas, professores, famílias e serviços de saúde e proteção social.
"Nosso objetivo é compreender por que cada estudante apresenta dificuldades para aprender, quais são suas habilidades e quais barreiras enfrentam. Desenvolvemos estratégias de apoio e intervenção para garantir que essas dificuldades sejam superadas e que cada aluno possa alcançar seu desenvolvimento integral", detalhou Rebecca.
Fonte: A TARDE