O Palácio do Planalto promoveu nesta segunda-feira, dia 24, o encontro regional denominado "Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027", com o objetivo de preparar os nove estados nordestinos para lidar com os efeitos do fenômeno El Niño. O evento virtual contou com a participação expressiva de mais de 400 autoridades públicas, incluindo ministros, governadores e prefeitos de diversos municípios.
A coordenação geral dos trabalhos ficou sob responsabilidade da Casa Civil, que articulou a presença dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais), Valder Ribeiro (titular interim da pasta de Integração e Desenvolvimento Regional) e Ana Flávia (interina do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima). Durante o encontro, foram apresentadas projeções meteorológicas indicando chuva abaixo da média histórica, elevação das temperaturas e a necessidade de estratégias urgentes de contingência.
No tocante à segurança hídrica, o Executivo federal destinou R$ 10,2 bilhões do programa Novo PAC para ações de enfrentamento à estiagem na região. O montante prevê a recuperação de 162 reservatórios, a distribuição de 172,4 mil cisternas para armazenamento de água potable e a construção de 2,8 mil quilômetros de canais e adutoras para garantir o acesso à água em comunidades vulneráveis.
Outros R$ 4,8 bilhões serão aplicados na ampliação do Projeto de Integração do Rio São Francisco, alcançando os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas e a Adutora do Agreste. A expansão deverá beneficiar aproximadamente 12 milhões de pessoas. Nas áreas onde a escassez de água é mais severa, a Operação Carro-Pipa seguirá fornecendo abastecimento mensal a cerca de 1,6 milhão de moradores.
O monitoramento hidríco indica que dos 354 reservatórios acompanhados no Nordeste, 68 apresentam situação crítica, com volume inferior a 20%. Para melhorar a capacidade de previsão, o Cemaden recebeu aporte de R$ 28 milhões para instalação de novos pluviômetros, enquanto o Inmet estabeleceu meta de instalar 272 estações meteorológicas até 2027.
Os participantes receberam diretrizes sobre como acionar recursos emergenciais por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres. Somente em 2026, o Nordeste obteve 838 reconhecimentos federais de situação de emergência por estiagem e 174 por conta de tempestades severas. Os recursos liberados abrangem assistência humanitária, incluindo resgate animal, e obras de reconstrução de infraestrutura danificada.
No front ambiental, a área devastada por incêndios no bioma nordestino acumulou 562,4 mil hectares em 2026, o que representa uma redução de 45,37% em relação à média histórica para o período. O governo federal alocou R$ 521 milhões para ações de prevenção e combate a queimadas em todo o território nacional.
Para assegurar a segurança alimentar e a saúde da população, a União planeja elevar os estoques públicos para 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho. Além disso, serão criados oito Centros de Informação em Saúde e Clima, que vão subsidiar as ações do Sistema Único de Saúde.
A rodada de Diálogos Federativos terá continuidade nesta quinta-feira, dia 27, quando uma reunião específica será realizada para abordar a realidade dos municípios da Região Norte do país.
Fonte: A TARDE