O julgamento popular que poderia levar à condenação dos assassinos do estilista Valdir Macário foi adiado pela quinta vez, frustrando mais uma vez os familiares da vítima. A sessão estava programada para esta terça-feira, 25, mas não ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Uma das principais razões para a demora no processo é que Patric Ribeiro Tupinambá, apontado como um dos executores do crime, fugiu enquanto aguardava o julgamento. Ele acabou sendo detido no estado de Minas Gerais por envolvimento com tráfico de drogas e só retornou à Bahia quase um ano depois de sua fuga.
Durante visita ao local onde aconteceria o julgamento, a equipe de reportagens ouviu Ide Macário, irmã de Valdir, que expressou sua indignação com mais essa protelação. Segundo ela, a família compareceu ao tribunal esperando por uma resposta, mas se sentiu como se encontrasse uma porta fechada. Ainda assim, afirmou que não vai desistir de acreditar na justiça brasileira.
A irmã da vítima criticou duramente a morosidade do sistema judiciário, lembrando que já se passaram quase dez anos desde o crime. Ela questionou o tempo de espera e afirmou que, apesar da frustração, a família continua confiando no Ministério Público, pois precisa das informações obtidas por meio das investigações.
O advogado Alonso Guimarães, que representa a família de Valdir, reconhece que os adiamentos anteriores tiveram justificativas, uma vez que o processo envolve grande complexidade. De acordo com ele, o tribunal popular não pode apresentar falhas quando se trata de decisões sobre vida, morte e liberdade.
Com a definição de uma nova data para o julgamento, o defensor explicou que seguirá realizando estudos aprofundados sobre o caso, analisando laudos periciais e documentos da medicina legal que serão fundamentais durante o julgamento.
Valdir foi morto no dia 12 de novembro de 2016, quando dois homens invadiram seu salão de beleza na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, e dispararam vários tiros na presença de funcionários e clientes. As investigações indicam que o motivo do crime estaria relacionado a uma tentativa de Valdir de aproximar seu irmão Reginaldo Manoel da Silva de uma mulher, que supostamente era casada.
Conforme o advogado da família, os dois suspeitos confessaram a participação no assassinato. Os laudos da medicina legal revelaram lesões nos braços de Valdir que sugerem que ele tentou se defender, mesmo não estando armado. O profissional explicou que esse tipo de ferimento indica que o agressor possuía uma agressividade muito superior à da vítima.
Entre as provas utilizadas pela acusação estão imagens registradas por câmeras de segurança do estabelecimento, que mostram a entrada dos criminosos no local. Testemunhas reconheceram os suspeitos após assistirem ao material e prestaram depoimento na delegacia, descrevendo o momento terrível em que presenciaram o assassinato brutal.
As apurações também demonstraram que, aproximadamente um mês antes do crime, Edgar Santos da Silva pagou cerca de vinte mil reais para que pessoas matassem Reginaldo, irmão de Valdir. Reginaldo foi baleado, porém sobreviveu. Segundo o advogado, esse pagamento inicial desencadeou o planejamento contra Valdir, pois os executores e mandantes acreditaram que o estilista estaria envolvido na aproximação entre seu irmão e a mulher em questão, o que serviu como estopim para o homicídio.
Após a habilitação ser deferida pela justiça, Alonso Guimarães deixará de atuar apenas como advogado da família e pasará a funcionar como assistente de acusação, trabalhando em conjunto com o Ministério Público para buscar a condenação dos responsáveis pela morte de Valdir.
Fonte: A TARDE