Vinte e três cidadãos brasileiros foram encontrados em Madagascar após serem submetidos a condições de trabalho forçado no Camboja. Entre as vítimas resgatadas no continente africano, nove são naturais da Bahia. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil após familiares procurarem a imprensa para denunciar o esquema de tráfico de pessoas.
Segundo relatos dos parentes, os jovens viajaram em janeiro acreditando que trabalhariam em um restaurante no exterior. A proposta oferecia emprego formal com remuneração em dólar, o que atraiu vários brasileiros que buscavam melhores oportunidades de vida. Após chegarem ao país asiático, porém, a situação tomou outro rumo.
Os brasileiros foram obrigados a cometer fraudes pela internet direcionadas a vítimas de diversas nações. A organização criminosa que os controlava confiscava os telefones celulares, monitorava as comunicações com as famílias e aplicava ameaças constantes. Os familiares no Brasil também eram intimidados para garantir que as vítimas obedecessem às ordens.
Em algumas situações, os exploradores forneciam dinheiro às vítimas para que enviassem aos parentes, criando a falsa impressão de que o emprego transcorria normalmente. Uma mãe bahiana revelou que começou a desconfiar quando o filho demorou para fazer contato. Inicialmente, as explicações dos criminosos acalmaram a família.
As vítimas relataram ter sofrido com a falta de alimentos, ameaças de choques elétricos, espancamentos e agressões verbais. Quando a quadrilha percebia risco de exposição, transferia rapidamente o grupo para outros endereços, frequentemente sem permitir que as pessoas recolhessem seus pertences.
Após meses de cativeiro, parte dos brasileiros foi levada a Madagascar. Foi no território africano que alguns conseguiram escapar. Desprovidos de recursos financeiros e sem os passaportes retidos, diversos jovens passaram dias pernoitando no aeroporto até serem assistidos por uma organização não governamental.
Um homem de 39 anos, identificado como Sandro Serra Araújo, foi detido na terça-feira passada em Realengo, na Zona Oeste fluminense. Ele estava em condição de foragido e é suspeito de atuar no recrutamento de vítimas no estado da Bahia.
As famílias iniciaram uma campanha solidária para arrecadar fundos destinados à compra de passagens aéreas de retorno e à alimentação dos jovens durante sua permanência em Madagascar. Mães desesperadas fazem apelos às autoridades para garantir o repatriamento dos brasileiros.
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia acompanha o caso. O Ministério das Relações Exteriores, em conjunto com entidades internacionais de assistência humanitária, coordena esforços para viabilizar o regreso dos nacionais ao território brasileiro.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias