Quando o feriado de terça-feira proporciona algumas horas de folga, uma produção do Prime Video pode ser a escolha ideal para quem busca uma experiência marcante. Trata-se de Lázaro, uma série britânica que chegou ao streaming em 2025 e que, embora tenha perdido visibilidade diante das novidades do catálogo, ainda representa uma opção interessante para amantes de histórias de suspense e mistério.
A trama foi desenvolvida por Harlan Coben, escritor conhecido internacionalmente por suas obras de mistério que exploram desaparecimentos, segredos familiares e revelações inesperadas. Em Lázaro, no entanto, Coben adotou uma abordagem diferente: pela primeira vez, escreveu um roteiro original para a televisão em parceria com Danny Brocklehurst, abandonando a adaptação de seus próprios livros.
O protagonista é Joel Lazarus, papel interpretado pelo ator Sam Claflin. Ele é um psicólogo forense que retorna à casa da família após receber a notícia da morte de seu pai, o doutor Jonathan Lazarus, vivido pelo reconhecido ator Bill Nighy. O que deveria ser apenas um momento de luto, contudo, rapidamente se transforma em uma jornada investigativa quando Joel percebe circunstâncias suspeitas ao redor do falecimento.
A morte do pai não é o único segredo que assombra Joel. A série também revela que ele perdeu sua irmã gêmea, Jenna, há vinte e cinco anos, em uma tragédia que nunca foi completamente compreendida pela família. Conforme a narrativa se desenvolve, essas duas perdas começam a se entrelaçar de maneiras inesperadas.
Um elemento central da história são as visões que o protagonista passa a ter: ele enxerga pessoas que sabe estarem mortas, incluindo sua irmã. Essa ambiguidade mantém o espectador em constante dúvida sobre a natureza dessas aparições, que podem ser manifestations sobrenaturais, resultados de trauma psicológico ou elaborações de uma mente enlutada.
A investigação conduz Joel de volta a antigos pacientes cujas mortes nunca foram esclarecidas: Cassandra, Harry e Imogen. Cada descoberta revela novas conexões entre os casos, enquanto a série fragmenta deliberadamente a narrativa entre passado e presente, exigindo atenção aos detalhes.
Sam Claflin oferece uma atuação contida e poderosa. Em vez de explosões emocionais exageradas, o ator utiliza silêncios, gestos sutis e momentos de vulnerabilidade para transmitir o impacto devastador do luto sobre seu personagem. Bill Nighy, apesar de aparecer menos por causa da morte de seu personagem, permanece presente na narrativa como uma figura que continua influenciando diretamente as decisões de Joel.
O cenário em Manchester contribui para a atmosfera melancólica da produção. O local de trabalho do pai de Joel ganha relevância especial, com sua arquitetura brutalista sendo utilizada cinematograficamente para aproximar realidade, memória e imaginação. A fotografia alterna temperaturas visuais para distinguir as linhas temporais, enquanto sonidos e iluminação criam um senso constante de desconforto.
A duração enxuta de seis episódios representa uma das principais vantagens de Lázaro para quem busca conteúdo para assistir durante a semana. A história se encerra completamente em uma única temporada, sem a necessidade de acompanhar múltiplos anos de produção. Essa concisão permite que o mistério seja desenvolvido com ritmo adequado, sem fillers ou tramas paralelas desnecessárias.
A série não está isenta de críticas. Algumas subtramas carecem de desenvolvimento adequado e certas escolhas narrativas podem parecer excessivas. A estrutura fragmentada, embora eficaz para manter o mistério, exige vigilância constante do espectador para acompanhar as diferentes camadas da história.
Para quem aprecia suspense psicológico com elementos de drama familiar e reviravoltas inesperadas, Lázaro merece atenção. A atuação de Sam Claflin, a ambientação sombria e o formato compacto fazem da produção uma experiência que vale a pena explorar, especialmente para quem busca algo diferente do convencional thriller policial.
Fonte: A TARDE