O estado da Bahia alcançou um resultado expressivo que refleja o compromisso com a diversidade e a justiça social. Conforme levantamento do Diagnóstico Equidade 2026, elaborado pelo Ministério da Educação, a rede estadual baiana progrediu da 18ª para a 2ª colocação entre as redes estaduais brasileiras que maisput into prática políticasvoltadas para a educação étnico-racial. Além disso, o estado ocupa a liderança nacional na formação voltada para a Educação das Relações Étnico-Raciais direcionada às escolas quilombolas.
Essa evolução representa muito mais do que uma simples mudança num ranking. Para os gestores da educação baiana, o termo equidade étnico-racial remete à própria identidade do estado, que foi moldado ao longo de séculos por distintas contribuições culturais, sociais e históricas. Reconhecer os estudantes, os territórios onde vivem, seus conhecimentos, memórias e identidades constitui pilar fundamental dessa política pública.
O Diagnóstico Equidade 2026 avaliou diversos aspectos das políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais e de Educação Escolar Quilombola, incluindo institucionalização, formação de profissionais, gestão, materiais didáticos, recursos financeiros, avaliação e monitoramento contínuo. A posição de destaque conquistada pela Bahia evidencia que a equidade étnico-racial já faz parte do planejamento pedagógico, do currículo e da administração da educação pública estadual.
Essa conquista carrega significado ainda mais profundo quando se considera o perfil populacional baiano. O estado abriga uma das maiores concentrações de pessoas negras do país, possui numerosas comunidades quilombolas e uma presença indígena que permanece viva e relevante para a construção da identidade regional. Essa pluralidade se manifesta no currículo diferenciado, nos materiais pedagógicos adotados, na capacitação dos educadores e nas atividades realizadas diariamente nas escolas.
A implementação das legislações número 10.639, de 2003, e número 11.645, de 2008, representa para o governo baiano não apenas uma obrigação legal, mas uma escolha de natureza pedagógica e cultural. Tais leis estabelecem a obrigatoriedade do ensino sobre a história e a contribuição dos povos africanos e indígenas. Para o estado, tratase de affirmar publicamente o papel fundamental dessas populações na formação do Brasil e da Bahia.
As ações desenvolvidas abrangem múltiplas frentes, incluindo a qualificação continuada de professores, a execução de programas estratégicos voltados à permanência dos alunos nas escolas, como o Bolsa Presença, a construção de novas unidades escolares e a ampliação de vagas em tempo integral. Também fazem parte dessa estratégia o monitoramento constante das políticas implementadas e a conversão das diretrizes oficiais em práticas pedagógicas consistentes.
O salto de posição nos coloca diante de responsabilidades ampliadas. Alcançar a segunda colocação exige que os resultados se traduzam em melhorias concretas na vivência escolar dos estudantes. É fundamental fortalecer a educação voltada às comunidades quilombolas e indígenas, ampliar a inclusão de referências étnico-raciais nos currículos e intensificar o combate ao racismo estrutural que ainda permeia a sociedade.
Trata-se de uma vitória coletiva que envolve toda a comunidade escolar, os movimentos sociais organizados, as comunidades tradicionais e a sociedade baiana de modo geral. Esse reconhecimento celebra não apenas uma posição em um ranking, mas a Bahia que pulsa dentro de cada escola e em cada cidadão.
Fonte: A TARDE