O setor mineral baiano está prestes a vivenciar uma transformação significativa. A proposta de criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que tramita no Legislativo Federal, promete movimentar a economia do estado de maneira expressiva nos próximos anos.
Segundo projeções de um levantamento desenvolvido por especialistas das universidades federais de Minas Gerais e Juiz de Fora, com colaboração da câmara de comércio americana e empresas do setor, a expansão dessa cadeia produtiva pode injetar R$ 192,1 bilhões no PIB nacional até 2050, com a geração de até 750 mil vagas de trabalho. A Bahia surge como uma das principais beneficiárias, com possibilidade de crescimento de 10,3% em seu produto interno bruto estadual.
O projeto de lei número 2.780, de 2024, que formaliza a política pública para o setor, deve ser apreciado pelos senadores após o reencontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com lideranças da Câmara e do Senado, programado para agosto. O PL representa uma tentativa de ordenar o desenvolvimento dessa cadeia estratégica.
Os pesquisadores analisaram dois caminhos possíveis para o setor. No primeiro cenário, com financiamento majoritariamente brasileiro e foco em exportação de matéria-prima, o impacto no PIB ficaria em R$ 128,7 bilhões, com abertura de 304 mil empregos. O segundo cenário, porém, considera maior receptividade ao capital estrangeiro, processamento interno dos minérios e uso crescente desses insumos pela indústria nacional. Nessa rota alternativa, os investimentos crescem R$ 120,9 bilhões, alcançando efeito acumulado de R$ 192,1 bilhões no PIB e 750 mil ocupações.
A comparação entre os dois percursos revela que a entrada de recursos internacionais e o adensamento das cadeias produtivas no território nacional podem somar R$ 63,4 bilhões ao PIB, R$ 32,3 bilhões ao consumo das famílias, R$ 16,1 bilhões aos investimentos e 446 mil empregos adicionais.
Os minerais contemplados pelo estudo incluem cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel e elementos de terras raras. O Brasil possui algumas das maiores reservas globais desses materiais, essenciais para tecnologias de energia limpa e transição energética.
"O país reúne condições para ocupar papel de destaque mundial nesse mercado. Quanto mais investimentos conseguirmos captar, maior será a conversão dessa riqueza natural em desenvolvimento econômico e tecnológico", declarou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Entre os estados mineradores, o Pará aparece com o maior potencial de crescimento, alcançando 16%. Goiás vem em seguida com 10%, enquanto a Bahia figura com 10,3%, seguida por Piauí com 4% e Minas Gerais com 3,8%. O processamento interno dos minérios amplia os ganhos também para estados com perfil industrial mais forte, como Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
No âmbito setorial, a indústria de transformação registra avanço acumulado de 1,8% no cenário mais ousado, quase o triplo do primeiro caminho. Construção civil cresce 4,5% e indústria extrativa, 4,2%. Entre os segmentos fabris, os equipamentos elétricos registram elevação de 16,7%, máquinas para mineração sobem 9,8%, automóveis ganham 5,5% e equipamentos mecânicos, 2,9%.
"O fortalecimento das cadeias produtivas locais amplifica os benefícios para além das regiões mineradoras, impulsionando também áreas industriais e fortalecendo a inserção do Brasil nas redes globais de tecnologia e energia limpa", completou Abrão Neto.
Fonte: A TARDE