Tim Draper, investidor norte-americano com fortuna estimada em 2,3 bilhões de dólares pela Forbes, tentou vender uma ilha na Tanzânia por 7,9 milhões de dólares. O anúncio foi feito diretamente em sua conta nas redes sociais em agosto, quando Draper afirmou estar comercializando "sua ilha" porque a família não utilizava o local com frequência. O bilionário disponibilizou um endereço eletrônico para receber propostas de possíveis compradores.
O governo tanzaniano respondeu rapidamente à publicação. Em comunicado oficial, o Ministério de Terras, Habitação e Desenvolvimento Urbano esclareceu que Draper não é proprietário da ilha. Segundo as autoridades, a terra pertence à Tanzania Investment and Special Economic Zones Authority, conhecida como TISEZA, uma autoridade estatal responsável pela gestão de zonas econômicas especiais.
Draper possui participação na Firelight Safaris Ltd., empresa que recebeu da TISEZA um direito derivado para construir e administrar um complexo turístico na ilha. Esse direito é o que pode, eventualmente, ser transferido a outro investidor, desde que sejam observadas as leis e os procedimentos estabelecidos pelo país africano.
A Lupita Island abriga um resort de alto padrão com dez chalés, spa, academia, sala de jogos, bares e piscina. O empreendimento oferece acesso a praia particular, passeios de barco, caiaque, mergulho com snorkel e pesca. Com mais de trinta funcionários, o local pode ser alcançado por meio de combinação de voo e embarcação. Draper dedicou quatro anos ao desenvolvimento do projeto, tendo iniciado as obras em 2004.
O caso não surpreende totalmente quem acompanha a situação. No livro "How to Be the Startup Hero", o próprio Draper escreveu que não possuía documentos emitidos pelo governo tanzaniano que comprovassem a posse da ilha. Segundo seu relato, o empreendimento progrediu com autorizações locais, enquanto a questão documental permanecia sem solução definitiva.
A estratégia de Draper para encontrar compradores também chamou atenção. Em vez de contratar uma imobiliária ou recorrer a plataformas especializadas, ele publicou a oferta publicamente nas redes sociais. Segundo informações anteriores à Forbes, a publicação teria despertado interesse e atraído múltiplas propostas.
Draper é membro de uma respeitada família do capital de risco. Ao longo de sua trajetória, participou de investimentos em empresas como Tesla, SpaceX, Skype e Coinbase. Ele também ficou famoso por adquirir, em 2014, 29.656 bitcoins apreendidos do antigo mercado online Silk Road em um leilão do governo dos Estados Unidos. Na ocasião, pagou 18,7 milhões de dólares pelos ativos digitais, o equivalente a cerca de 632 dólares por unidade.
Apesar da contestação sobre a propriedade, o governo tanzaniano não impediu que a Firelight Safaris transfira seus direitos de investimento. Uma futura negociação pode envolver o resort, a operação turística e os direitos associados ao empreendimento, porém não a titularidade da terra em si. O caso transformou um simples anúncio de venda nas redes sociais em um amplo debate jurídico sobre os limites entre posse de terras e concessões a investidores estrangeiros na Tanzânia.
Fonte: A TARDE