O pianismo baiano ganha uma nova releitura nesta terça-feira, 18, durante apresentação gratuita na Caixa Cultural de Salvador. Marcelo Galter sobe ao palco para apresentar seu mais recente projeto fonográfico, inteiramente dedicado à obra do mestre Dorival Caymmi.
O disco, disponibilizado pelo selo Rocinante tanto em vinil quanto nas principais plataformas de streaming, traz sete composições clássicas de Caymmi ao lado de um tema autoral chamado "Promessa", fruto de colaboração entre Galter, o baixista Ldson Galter e o percussionista Reinaldo Boaventura. A propostaPDTUnlike tradicional: em vez de fielmente reproduzir os sambas e canções do compositor, o grupo reconfigura o material a partir de matrizes sonoras como o samba de roda, a viola machete, o berimbau e os tambores de terreiro.
O concerto terá a formação completa com Galter ao piano, Ldson Galter no baixo elétrico, Reinaldo Boaventura e Luizinho do Jêje dividindo as percussões, além de Mû Mbana nos vocais e na flauta serdô. Após a estreia em Salvador, o ensemble embarca para uma turnê europeia prevista para novembro, com apresentações confirmadas em Berlim, na Alemanha, em cidades da Áustria e em Amsterdã, nos Países Baixos.
Na avaliação do pianista, a reconhecida simplicidade das melodias de Caymmi esconde uma construção refinada. "Caymmi era um esteta extremamente sofisticado. Muitas vezes, ele amadurecia uma canção por anos antes de considerá-la pronta", pondera Galter, destacando que o compositor conseguiu sintetizar em seu violão as tradições que ouviu nas ruas e terreiros da antiga Salvador.
A conexão entre o violão de Caymmi e o piano de Galter permeia todo o álbum. O trabalho busca expandir a diversidade rítmica e melódica que o maestro traduziu em suas composições. "Procuramos traduzir em melodias, acordes e ritmos as texturas e paisagens sonoras presentes nas obras de Caymmi. Ao mesmo tempo, reconhecemos o poder da música de abrir horizontes para a imaginação de cada ouvinte, que se torna parte da criação", explica.
A faixa "365 Igrejas" exemplifica essa abordagem. Partindo do samba criado por Caymmi, Galter transporta para o piano os desenhos característicos da viola machete e seus sotaques particulares. "Isso traz um frescor novo à maneira como ritmicamente abordamos o piano, abrindo possibilidades que raramente são exploradas", detalha.
A construção dos arranjos seguiu um processo colaborativo. Galter iniciou a composição pelo piano e, posteriormente, foi definindo as camadas instrumentais junto aos demais músicos. "É como contar histórias diferentes para cada integrante do grupo. Quando nos reunimos, todas as versões se fundem em uma continuidade coesa", descreve o pianista, enfatizando a contribuição essencial de seus parceiros.
A entrada na Caixa Cultural é gratuita e aberta ao público. Os portões serão abertos ao meio-dia, com a apresentação marcada para as 19 horas.
Fonte: A TARDE