As autoridades policiais de Salvador prenderam nesta quinta-feira um indivíduo de 31 anos que estava sendo procurado pela Justiça gaucha sob acusação de assassinato qualificado por motivo de gênero. O capturado, identificado como Jonatas Moraes da Silva, também é alvo de investigações por homicídio doloso, intimidação e agressões no contexto doméstico.
A captura ocorreu após militares encontrarem o suspeito durante o atendimento a uma ocorrência de agressão física. Ao ser levado até a especializada em proteção à mulher, o homem tentou ludibriar os agentes apresentando-se com a identidade de um parente. Os investigadores perceberam contradições nos dados fornecidos e iniciaram levantamentos para apurar a real identidade do indivíduo.
Após análises de cruzamento de informações, a equipe de Inteligência da delegacia confirmou quem ele realmente era e descobriu um decreto judicial em seu desfavor. O mandado estava relacionado a um caso de assassinato contra mulher praticado em maio deste ano, no estado do Rio Grande do Sul. Os registros policiais também revelaram procedimentos anteriores por espancamento contra outras vítimas do sexo feminino.
O preso passou pelos procedimentos periciais e permanece detido, aguardando as decisões da Justiça. O cumprimento do decreto judicial ocorreu após os agentes verificarem a identidade verdadeira e constatarem a existência dos processos criminais em tramitação.
Esse episódio acontece em meio à divulgação do sexto relatório do programa Elas Vivem: a urgência da vida, que compila indicadores de agressões contra mulheres em nove unidades da federação. Os dados mostram que a Bahia computou 240 registros de violência de gênero no ano de 2025, representando uma queda de 6,6% frente ao período anterior. A pesquisa também evidencia lacunas nos registros: em 85% dos Boletins de Ocorrência não constavam informações sobre a raça ou etnia das vítimas.
Conforme o documento, quase três quartos dos assassinatos de mulheres no estado foram praticados por companheiros ou ex-companheiros. O levantamento analisou ocorrências registradas nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. No conjunto desses territórios, foram registradas 4.558 notificações de violência contra mulheres ao longo de 2025, crescimento de 9% comparativamente ao ano precedente. O estudo subraya que, em média, ao menos uma dezena de mulheres sofreram algum tipo de violência diariamente.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias