O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia está passando por uma transformação significativa na forma de atuar em situaçõees envolvendo risco de automutilação. A corporação implementou um novo protocolo que privilegia o diálogo e a escuta ativa, abandonando antigas práticas que se limitavam à contenção física.
Em entrevista ao Metropole Mais, a Tenente-Coronel Jamile Lutiane explicou que o novo modelo busca preparar melhor os profissionais para lidar com situações cada vez mais frequentes. Segundo ela, o treinamento é voltado para agentes dos 20 batalhões operacionais distribuidos pelo território baiano.
A docente Maria Carolina, do Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, Justiça e Cidadania da Universidade Federal da Bahia, alerta que a saúde mental se tornou uma questão que atravessa todas as camadas sociais após o período da pandemia. A instituição atua como ponte entre a demanda da população e a capacitação dos profissionais.
A abordagem anterior era predominantemente tática: o atendente distraía a pessoa em crise e realizava a contenção. No entanto, esse método não evitava tentativas futuras. Agora, a metodologia prioriza conversa sem julgamentos, investigação das circunstâncias que levaram ao momento crítico e encaminhamento imediato para redes de apoio.
Os profissionais que atuam nesse tipo de ocorrência são chamados de "abordadores", enquanto a pessoa em risco recebe a denominação "tentante". A corporação enfatiza que os "tentantes" buscam socorro de formas diversas e desejam ser ouvidos independentemente de condição social ou racial.
A orientação oficial determina que testemunhas de crises não gritem nem façam brincadeiras inadequadas. A recomendação é acionar os serviços de emergência e fornecer o maior número possível de detalhes sobre a pessoa e o ambiente.
A Tenente-Coronel também chamou a atenção para um problema recorrente: as chamadas falsas que sobrecarregam o sistema e podem comprometer o atendimento a quem realmente necessita. Após atuarem em ocorrências de crise, os próprios bombeiros são direcionados à Coordenadoria de Saúde, onde participam do projeto Acolher e podem receber acompanhamento especializado.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1