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Desocupação encerra quase um ano de ocupação no Infinity Ecologic Residence em Salvador

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Fonte: A TARDE
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Após quase dez meses de permanência no antigo canteiro de obras do Infinity Ecologic Residence, situado na Rua Marquês de Queluz, no bairro de Pituaçu, em Salvador, as famílias ligadas ao Movimento Social Frente Nacional de Luta Campo e Cidade foram obrigadas a deixar o local na última segunda-feira, 5 de fevereiro. A operação de reintegração de posse mobilizou agentes judiciais, policias militares e representantes da assistência social do municipio.

A ação pegou os ocupantes de surpresa. Por volta das 8 horas da manhã, oficiais do Tribunal de Justiça da Bahia chegaram ao edificio e determinaram a saida imediata de todos os presentes. A coordinadores do movimento, Alessandra Rosa dos Santos, afirmou que trabalhava quando recebeu a notificacao por telefone. Segundo ela, nenhum aviso previo havia sido entregue. "Perguntei se tinha um mandato, me disseram que o juiz tal tinha determinado. Mas, ate agora, nao vi. Temos a decisao possessoria desse imovel. Nao estavamos ilegais", declarou.

Um oficial de justiça, contudo, informou que Alessandra fora avisada cerca de 15 dias antes de que as familias deveriam abandonar o edificio. "Nao sei se todos sabiam, mas a responsavel pelo movimento tinha ciencia", esclareceu o servidor.

A operacao contou com o acompanhamento de um advogado, agentes da 39ª Companhia Independente da Policia Militar da Boca do Rio e servidores da Secretaria de Promocao Social, Combate a Pobreza e Esporte e Lazer. Durante toda a manha, o Grupo A TARDE presenciou o vaivem de pessoas transportando seus pertences pelas escadas do edificio em ruinas, com sete andares. Families carregavam colchoes, moveis e utensilios domesticos, depositando tudo em veiculos de carga estacionados na area externa.

Entre os desalojados estava Ana Rita Santos da Hora, 55 anos, que passou por uma cirurgia recentemente apos sofrer um acidente vascular cerebral. "Nao tenho de que sobreviver ainda. Eu morava de favor na casa da minha irma, nao tenho onde morar. Antes do derrame, eu trabalhava e vivia de aluguel. Agora, nao posso mais trabalhar", disse, emocionada, aos prantos. Ela estava no imovel há sete meses.

Marilene Fagundes da Silva, 53 anos, tambem estava desolada. Vinda da Ilha de Itaparica ha sete meses, ela se abrigou no edificio junto com a filha, Ana Carla Silva da Encarnacao, 24 anos, que possui transtorno de deficit de atencao com hiperatividade e precisa de tratamento especializado disponivel apenas em Salvador. "O dono da casa onde eu morava de favor chegou e a gente nao teve onde ficar. A Alessandra me acolheu, me deu um cantinho com quarto, sala, cozinha e banheiro. Fui muito bem tratada. Hoje, nao sei para onde vou", desabafou.

A assistente social Eliana Suzart, funcionária da SEMPRE, assegurou que nenhuma pessoa ficaria desamparada. Families sem rede de apoio seriam encaminhadas aos albergues da prefeitura. Alem disso, todos os ocupantes foram cadastrados para receber o auxlio-aluguel. "Estamos aqui para garantir a protecao social de todas as familias. As que nos informam nao ter parente ou apoio comunitario estao sendo conduzidas para as unidades de acolhimento. Estamos facando o cadastro para inseri-las nos beneficios e servicos da assistencia social municipal", explicou.

Os pertences dos moradores foram levados para um galpao, onde ficarao guardados ate que os proprietarios possam retira-los.

O imbroglio juridico envolvendo o Infinity Ecologic Residence tem origens antigas. Lançado em 2010 como empreendimento habitacional pela construtora Ecomundo, o imovel foi abandonado em 2013, antes mesmo de ser concluido. Na epoca, alguns compradores ja haviam assinado contratos de promessa de compra e venda. O projeto previa 104 apartamentos e 156 vagas de garagem, com obras previstas para terminar entre dezembro de 2012 e junho de 2013. Consta que o residencial foi deixado com apenas 30% da construcao realizada.

Em 2014, os compradores fundaram a Associacao dos Proprietarios de Unidades Habitacionais do empreendimentos. Dois anos depois, constituram o Condominio de Construcao na tentativa de retomar as obras. Porem, litigios entre adquirentes, incorporadoras e credores trabalhistas interromperam os servicos, e o imovel permaneceu abandonado ate ser ocupado pelo movimento em 27 de dezembro de 2025.

Fonte: A TARDE

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