Carlos Boulos, tio do parlamentar licenciado e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, faleceu na madrugada desta terça-feira, três dias depois de ser atingido por um veículo durante uma discussão de trânsito na capital paulista. Ele estava internato em estado grave no Hospital das Clínicas e não resistiu aos ferimentos.
O atropelamento aconteceu na noite de sábado, na Avenida 23 de Maio, quando Carlos conduzia uma caminhonete Toyota Hilux e colidiu levemente com um Fiat Palio. Após a colisão, os dois condutores entraram em uma rápida troca de insultos e, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, Carlos desceu da Hilux para conversar com o outro motorista. O condutor do Palio, então, avançou com o veículo na direção do idoso, atingindo‑o e fugindo do local.
Testemunhas gravaram a cena em vídeo, o que permitiu à polícia identificar a placa do Fiat Palio e localizar o suspeito. O motorista investigado, Amilton Juscelino Rodrigues, de 61 anos, compareceu voluntariamente à delegacia na segunda-feira, prestou depoimento e foi liberado para responder ao processo em liberdade.
A defesa de Rodrigues sustenta que ele tentava se afastar de uma situação que considerava ameaçadora para proteger a esposa, o filho e a si próprio. De acordo com o advogado Natan Tolintino, Rodrigues voltava de um hospital acompanhado da família quando Carlos começou a buzinar, acender o farol alto e dirigir o veículo na direção do Palio. Carlos teria ultrapassado o Palio, parado a caminhonete à frente e descido do veículo; a família de Rodrigues temeu que o idoso estivesse armado, o que o levou a acelerar para deixar o local.
Segundo a versão da defesa, Carlos tentou impedir a saída do Palio, colocando as mãos sobre o capô e batendo no carro antes de perder o equilíbrio e cair. O vídeo capturado por testemunhas mostra o momento em que o Palio atinge Carlos e abandona a via. A polícia analisa imagens, depoimentos e perícias para esclarecer a dinâmica do atropelamento.
A investigação também ouviu relatos de que uma discussão anterior já havia ocorrido entre os dois condutores na mesma Avenida 23 de Maio, motivada por outra colisão. Rodrigues afirmou estar abalado com o caso, e as autoridades prometem apresentar mais detalhes à medida que o trabalho pericial avança.
Fonte: A TARDE